Sofia levantou os hombros com desdem.

—E as suas cartas, ardentes, incendiarias. Ah! mostral-as-ei ao mundo inteiro, a todos, a esse Barroso do inferno...

—Fôra indigno da sua parte. O cavalheirismo...

Cavalheirismo? replicava Mario Campos impetuoso, cheio de fél e ironia, quando tudo lhe tiravam, lhe arrancavam, lhe roubavam?! Depois do que lhe succedia, não era, não podia ser um homem como qualquer outro. Havia de tomar o seu desforço do modo que melhor lhe aprouvesse, como um villão, um miseravel, uma féra. Dependia d’ella. Dos seus labios estava suspensa a sua vida. Não lhe diria jamais tudo; mas a morte pairava sobre ambos...

—Sofia, Sofia! implorava o misero.

A moça, porém, abanava implacavel a cabeça, pallida, os olhos sem fulgor, meio cerrados, inquietos, mas energica, de tenção firme, inabalavel.

—Não, não; não é mais possivel...

N’isto um cavalheiro veiu lembrar-lhe o compromisso de uma valsa.

—Tenho certo escrupulo, disse elle um tanto malicioso, de interrompel-os; conversavam tão animados...