—É o Petrarca sul-americano, decidia um dos discipulos na arte bohemia; assombroso, um abysmo!

Não cabia pois Julia em si de contente, dava escandalo, servindo-se das mucamas e dos molecotes da casa para, a cada momento, enviar cartas e fitinhas, pontas de cabello e flores allegoricas, ou docesinhos e mais isto e mais aquillo, ao incansavel trovador.

Teria, por certo, preferido mais elegancia e plastica no seu porte, barba menos hirsuta, cabellos mais disciplinados e principalmente menos surrado um celebre sobretudo, de verão e inverno; mas emfim, com um bocadinho de exaltação muito senão póde transformar-se em qualidade esthetica.

—Que alma! exclamava com enthusiastico fervor, e que talento, quanta imaginação!

Num bello dia, lembrou-se de autorisar o nosso Gracias a ir pedir ao commendador a sua mão—uma tentativa.

«Perigosa cartada, a que jogamos, dizia ella em carta, mas procurarei por todos os meios e com o maior geito preparar o terreno. Terei coragem; conto com a sua resolução. Apresente-se afoutamente.»

E por ahi ia, numas quatro longas paginas.

Gracias, que não guardava segredos com ninguem, e menos ainda com os amigos intimos de occasião, mostrou logo a carta aos companheiros de estadia.

Foi um só brado.