Recebeu-o Candelaria de cara muito amarrada, todo vermelho, quasi apoplectico. Como, porém, se prezava de muito bem educado—uma das suas manias—fel-o sentar e, empertigado, casmurro, deixou-o fallar, expôr ao que vinha.
Após breve hesitação, fallou, fallou o rapaz quasi a perder o folego, legitima conferencia, como se estivesse de posse da tribuna da Gloria. Não poupou os excellentissimos.
Afinal o velho o interrompeu, todo inchado de ira:
—Tudo isto é muito bom, declarou com solemnidade de pessoa de finissimo trato; mas o senhor, consinta-me a franqueza, não tem eira nem beira e está perdendo o seu tempo. A minha filha não é para os seus beiços.
—Tenho diante de mim o futuro, exclamou lyricamente Gracias.
—Bom, bom, não admitto conversas fiadas.
E levantou-se para não arrebentar. Fervia-lhe o sangue nas entumecidas veias.
Quiz o pretendente replicar.
—Basta, basta, meu rico senhor. Isto aqui não é ponto de bilontras. Queira retirar-se, quanto antes. Pão, pão, queijo, queijo! Por alli é o caminho da rua.