Gabriel Barbosa fez pontaria com vagar e calma.
Um tiro echoou, e o cavalleiro paraguayo cahio, soltando um grito de agonia.
Um segundo teve igual destino e rolou ferido por certeira bala, mas já a esse tempo cinco ou seis outros se havião atirado sobre o brasileiro e depressa o prostrárão sem vida, todo golpeado e lanceado.
Ainda hoje, n’esse mesmo lugar, se vê uma grande cruz lavrada e coberta de desenhos, na qual está gravada esta inscripção:
«Aqui murió el soldado de cabaleria Eusebio Gama en agzion di guera.—Ennero, 1—1865» (sic).
Ao pé d’essa cruz esteve por muito tempo atirado, como homenagem aos restos de quem alli descansava, um craneo com dous grandes talhos de espada.
Era o craneo de Gabriel Barbosa.
No dia 2 de Janeiro os paraguayos entrárão em Nioac. Aquella linda povoação estava deserta e em poucos minutos ficou reduzida a cinzas.
Em Miranda, d’ahi a vinte e poucas leguas, n’esse dia, a perturbação tinha tocado ao seu auge. Pela madrugada havião chegado os restos desordenados do 1º corpo de caçadores, e tudo quanto morava nos arredores da villa affluira para ella. A quantidade de indios terenos, laianos, kinikináos, guanás, guaycurús e até cadiuéos, que são, comtudo, perfidos e mal vistos, era consideravel, todos a pedirem em altos brados armas e munições de que estava repleto o deposito de artigos bellicos, para correrem a se metter em emboscadas.
Uns propunhão que se tratasse quanto antes da defesa, e aconselhavão duas esperas excellentes no Lalima e no Laranjal; outros declaravão qualquer tentativa de lucta inutil e impossivel, e só esperavão pela voz de debandada; outros, emfim, e entre os mais notaveis da villa, já nem esperavão por aquelle signal e tratavão de abarrotar de trastes as canôas e igarités em que pretendião descer o rio Miranda, para demandarem a foz do seu affluente, o Aquidauána.