Era o filho de Camiran.

Tinha elle pouco mais de 20 annos; mas era um soberbo indio, côr de cobre vermelho, com feições angulosas, maçãs do rosto salientes, dentes acerados, olhos pequenos e intelligentes, queixo accentuado e denunciando energia.

Com tão pouca idade soubera conciliar o respeito dos seus e a amizade dos brancos. Era elle quem tomava a peito as queixas da sua gente nas relações com os moradores de Miranda, quem ia denunciar a frei Marianno as irregularidades dos contractos ou os desmandos que se davão na sua aldêa. Pedia providencias n’um e n’outro sentido; indicava-as acertadas, e conseguia de vez em quando algum resultado, conforme os interesses dos seus e como era de justiça. Soubera até em varias occasiões franzir o sobrolho ás autoridades da povoação, dispostas sempre a abusar, e, apoiado na boa vontade do frade capuchinho e no seu espirito de rectidão, obteve que cessassem para os habitantes de seu aldeamento diversas medidas vexatorias a que estavão sujeitos os indios.

Uma vez Pacalalá teve noticia de que um kinikináo, avelhentado e onerado de familia, fizera com o juiz de paz de Miranda um contracto de locação de serviços por dous mezes pelo preço de quatro mil réis, e mais uma garrafa de aguardente no fim de cada mez.

Sem demora partio para a villa e recorreo a frei Marianno, que se apressou em saber da verdade.

Um papel em regra de accordo mutuo foi-lhes apresentado, e o indio declarou que o lavrára sem sugestões e de muito livre vontade.

Não havia recalcitrar.

Então Pacalalá adoptou um expediente novo. Propôz a substituição do trabalhador, ficando de pé a letra do contracto.