—Devéras, exclamava amiudadamente Alberto colhendo as redeas ao animal para comtemplar com mais demora aquellas lindas perspectivas, vale a pena vir até cá só por ver tudo isto! É soberbo!... admiravel!
Depois do corrego de Eponadigo[1], o cerrado fica mais fechado, de modo que o viajante caminha em aléa encoberta dos raios de sol por grandes arvores, algumas das quaes até são madeiras de lei, como o jatahy e o vinhatico.
O ar alli é puro, e a brisa sopra constante e quente, escandescida que foi pela reverberação dos campos desabrigados de Camapuan.
Em meio do segundo dia de viagem, Alberto sentio-se incommodado e no pouso teve febre bastante violenta.
—Eis uma novidade, disse elle a tiritar com o accesso, para quem, ha muitos annos, não tem tido molestia. O que porém me acontece agora é uma homenagem devida ao malefico clima de Miranda. Resignemo-nos, pois.
Na manhã seguinte, depois de uma noute calma, estava elle bem disposto de espirito, mas com o corpo alquebrado. Tomára uma beberagem de quina do campo que um dos soldados lhe havia preparado e transpirára muito.
Á mesma hora da vespera, a febre reappareceo, com muito mais intensidade d’essa vez.
Estavão então os dous viajantes no Agaxi[2], corrego que atravessa o aldeamento dos kinikináos, a meia legoa para lá da estrada, e procurarão a sombra de um grande grupo de palmeiras buritys para descansarem.
Alberto delirava um pouco e tremia a ponto de balançar a rede que lhe havião promptamente armado. Á tarde, cahio em grande prostração e só se reanimou quando o frescor da noute veio suavisar o calor abrazador que fizera durante todo o dia.