Quixauó! exclamou Morevi, carineti tchikiiti.[6]

Como a tarde vinha já descendo, decidio Alberto pousar ao menos uma noute n’aquelle bello lugar, pelo que encarregou Florindo de obter a posse de uma das choupanas o que se conseguio sem a menor difficuldade, tanto mais quanto na occasião não tinha ella occupante. Na outra morava uma india de meia idade, cujos filhinhos robustos e gentis podião attrahir as vistas de um homem branco e artista de coração.

A installação fez-se com presteza. Depois de bem varrido o chão de barro batido, forão as ligeiras cargas do viajante depositadas a um canto e a sua rede suspensa ás traves mais grossas que servião de mourões á palhoça.

Morevi recebeo logo em paga de sua amabilidade um punhado de sal, que elle embrulhou cautelosamente como preciosidade inestimavel.

Mas quando ao sal já recolhido addiccionou-se um vistoso collar de vidrilho e contas de ouro que devia lhe ornar o encarquilhado pescoço, então a sua gratidão não conheceo limites e despegou-lhe, depois de muito gesto comico, a lingoa n’uma catadupa de palavras quasi sem nexo, umas em seu idioma, outras em portuguez estropeado.

—Este lavrado[7] não é para mim, disse elle afinal mais calmo a Florindo, é para a minha neta. Ella foi á aldêa grande e d’aqui a um nadinha estará batendo de volta.

Pouco depois, com effeito, appareceo alguem á entrada da clareira, para lá do corrego.

—É Ierecê[8], exclamou Morevi apontando para aquelle lado, é a minha neta!

E os seus olhos já apagados pelas sombras da velhice brilharão de orgulho.