Um bello dia o commandante superior da guarda nacional mandou-lhe por um cabo de esquadra aviso, ordenando que chegasse n’aquella mesma hora ao palacio da camara municipal, e ahi, não só a elle, como a mais quinze companheiros fez uma falla meio gaguejada em que disse que era preciso ir acabar com o inimigo, que os brazileiros nunca tinham sido vencidos, que a gente de Uberaba ia ganhar um nome illustre, que todos haviam de voltar com vida e bom dinheiro no bolso, que o Brazil contava com os seus filhos, etc., etc., e depois de toda essa perlenga acabou dando vivas ao Imperador e á Constituição, no que foi acompanhado com muito barulho por outros homens de casaca reunidos a um lado da sala.
Mas ahi é que cabia bem uma pergunta?
Porque é que aquelle commandante superior não marchava tambem para a guerra? Então só lá devião ir os pobres soldados para chuchar bala como terra em pó, e os coroneis e mais officiaes de dragonas cheias a se deixarem ficar muito a gosto e só enchendo as bochechas com patriotadas?
Nada: isso era máo, devéras. Se havia essa necessidade, como diziam, então que todos se sacrificassem.
O pequeno quando vê o grande sahir de seus commodos e mostrar boa vontade, supporta tudo com cara alegre, não assim a empurrar-se gente para obedecer ao governo e mettido na tóca caladinho!...
Assim tambem pensava Juca Ventura, mas elle não disse patavina, e sem demora foi mandado para o quartel, uma casa de paredes altas e vigiada que parecia uma cadeia.
Ali já estavão reunidos uns sessenta homens meios assarapantados que todos os dias ouviam fallas e mais fallas do commandante d’aquelle deposito—um major de linha, mandado de proposito da côrte para ensinar recrutas.
Mas o major debalde punha os bófes de fóra: não havia influencia nenhuma.
Juca Ventura só viu caras muito jururús.