Juca Ventura estremeceu todo.

—Ah! exclamou elle com a boca encrespada de amargura, não bastou a você, portuga de desgraças, me tomar a minha noiva, me arrancar o coração, pisar com pé de chumbo na minha felicidade, matar para sempre a minha alegria, quer tambem o meu perdão?...

—Quero, atalhou Chico Luiz com força. Você é homem de honra, é homem de bem, eu tambem sou. Da conversa de hoje é que vai sahir o futuro da mulher que nós dois amamos, da mulher que ainda ama a você, Ventura, mas que me pertence a mim. Eu fallo aos seus sentimentos. Aqui lhe peço de joelhos...

—Não, não!

—Perdão, perdão. Eu quero ou morrer de sua mão, ou que você me dê o seu perdão. Nossa Senhora abrande o seu coração... Tem pena de minha mulher, tem pena de meu filho!...

E Chico Luiz, no meio da estrada, se atirou de joelhos aos pés de Juca Ventura, mas com tanta dignidade que ninguem havia de vêr n’aquelle acto, não uma baixeza ou medo, mas uma menagem á desgraça do tropeiro.

—Levante-se, homem, disse em fim com muita pausa Ventura... Eu... vou pensar.

E depois de novo silencio, acrescentou com esforço.

—Se... amanhã eu... apparecer na... sua casa... então... é signal que... para mim... o passado, passado. Se... eu não fôr lá... é que parti para nunca... mais ouvir fallar... em Uberaba... e na gente que aqui mora.

E acenando com a mão, sumiu-se, sem dizer mai-palavra, na escuridão da noite...