Uma noute, o luar era brilhante: tudo resplandecia de luz branda e azulada.
A matta, ao redor, formava uma linha escura, e o ribeirão parecia desdobrar-se em laminas de prata. Pontos scintillantes corôavão a folhagem compacta das palmeiras, por entre cujos troncos a luz, coando vivamente, estendia pelo chão compridas sombras que semelhavão columnas derrubadas por terra.
Ierecê preparára uma sorpresa.
Fôra, de manhã, á aldêa do Agaxi convidar diversas indias kinikináos para virem passar a noute no Hetagati.
Á hora aprazada, chegarão de facto seis bellas raparigas, vestidas com a tradicional julata que lhes deixava descobertos os seios pequenos e empinados. O typo era o mesmo que o de Ierecê; mas esta, no meio das companheiras, parecia uma deusa cercada de nymphas. Tinha pórte mais altivo, physionomia mais expressiva e intelligente.
Alberto, ao vêr chegar o gentil bando, adiantou-se ao seu encontro.
A guaná o mostrou com orgulho, e, tomando pela mão a visitante que lhe pareceo mais bella, caminhou para o mancebo: então, entre risonha e medrosa, disse-lhe que d’ora avante se considerava vencida em formosura e cedia o seu lugar a quem mais o merecia.
A recusa immediata não mostrou offender a kinikináo e mais exaltou a alegria de Ierecê.