Julio Freitas se occupára activamente do regresso, e, como o vapor Alpha estivesse prompto para seguir viagem, veio a presença de Alberto dispensar outra qualquer demora.

—Quanto mais depressa melhor, pensava elle depois de dar a João Faustino as instrucções relativas ao valle do Hetagati.

A lembrança de Ierecê opprimia-lhe o espirito, como se houvera praticado uma acção má. Não era propriamente paixão o que sentia por aquella india, mas uma immensa commiseração acompanhada de verdadeira amizade.

Tres dias se passarão na villa empregados nos cuidados da partida. Na manhã seguinte o vapor levantava ferro.

Á tarde estava Alberto conversando com João Faustino á porta da casa d’este, uma das raras cobertas de telha, na rua da Matriz, quando avistou um velho e uma mulher que vinhão quasi a arrastar-se pelo caminho, prostrados de fadiga.

Erão Morevi e Ierecê, cobertos de pó, arfando de cansaço e de fraqueza.

Correr ao encontro da infeliz rapariga, abraçal-a e leval-a para o interior da casa em que se achava foi o que fez Alberto com a maior espontaneidade, sem hesitação nem vexame, apezar de haver espectadores que podessem o censurar.

O velho, banhado de suor, anniquilado, deixára-se cahir pesadamente no chão ao pé da porta.

Alberto quiz ralhar com Ierecê, mas achou-a tão mudada, que não teve animo. Ella tinha as faces encovadas e tremia de frio e emoção.

—Que farei, Sr. Faustino? perguntou o moço querendo tomar sério conselho n’aquella contingencia.