«Depois não disse mais palavra.

«Perguntei ao velho Morevi como chegára Ierecê áquelle estado em tão curto prazo. Contou-me então que desde a volta ao Hetagati, a sua neta não quizéra ou não pudéra mais nem dormir nem tomar alimento. Uma tristeza sombria a acabrunhava, e febre surda mas continua lhe minava as fontes da vida. Debalde, como feiticeiro, conferenciára elle com o acauán; debalde, como sacerdote, cantára noutes seguidas; debalde, como medico, chupára o lugar em que batia o coração para ir cuspir n’uma cova distante o terrivel mal—a nada cedêra a molestia mortal.

«—O portuguez, disse-me em voz baixa Morevi, levou a alma d’ella.

«Observei Ierecê: poucas horas tinha que viver.

«Estava como que adormecida, arfando um pouco. De vez em quando parecia querer sorrir.

«Ao meio dia abrio de repente uns olhos espantados, pedio agoa e expirou, pronunciando em voz, mais e mais baixa, um nome que o senhor hade conhecer.

«—Alber...to... Al...ber...to!

«Vendo-a morta, prohibi que Morevi se entregasse ás expansões de dôr tumultuosa como usa a gente de sua nação, de modo que aquelles uivos e gritos selvaticos com que os chanés pranteão a morte dos parentes, não perturbarão o socego do valle em que tanto havia soffrido um coração.

«Antes de chegar a noute, enrolei o corpo d’aquella bella mulher na rede e enterrei-o no chão do rancho, conforme ella desejára e poucos dias antes pedira ao seu avô.

«Fiz uma cruz e finquei-a á cabeceira da sepultura.