Rocha (interrompendo-o).—Mas...

Ribeiro (gravemente).—Deixe-me fallar... As palavras que vou lhe dirigir são conselhos de quem, prezando-o como parente, preza tambem a gloria de sua familia. Você pede a mão de minha filha, não é?

Rocha.—É verdade... aspiro...

Ribeiro (com gesto de imposição).—Pois faz uma furiosa asneira...

Rocha (levantando-se admirado).—Como assim?...

Ribeiro (levantando-se tambem).—Em duas palavras lhe explico tudo. Você (pausado e com voz muito grave) não deve casar! A sua vocação não lhe permitte senão o celibato... Veja bem. Eu lhe aceno com a gloria! Que quer dizer um poeta casado, em riscos de ter duzia e meia de filhos, ao lado de uma mulher que vai envelhecendo... ficando rabujenta, desdentada, descabellada?! Meu Deos, que cousa horrivel!... Haverá inspiração que resista a causas tão deleterias?...

Rocha.—Meu tio...

Ribeiro (com volubilidade).—Não me interrompa... Sei que hei de levar a convicção á sua alma... Supponha os grandes poetas presos pelas cadêas do matrimonio. Que teriamos em poesia?... Nada... nada... mil milhões de vezes nada!...

Rocha (enfiado).—O senhor quer caçoar...