Era uma lenda triste e prophetica, como o genio do Norte. O vento ramalhava as pernadas secas de louro, crepitantes como ralas. A paisagem era dum roxo delido, melancholica como a lenda, como Peregrina.

Chegou Jacob com a correspondencia. O sol, até ahi hesitante, desappareceu, mysterioso.

Peregrina encarou a altura. Depois, descendo a vista, pareceu-lhe vê-lo na salva de oiro que Jacob segurava, com as cartas.

—Deixa ver! disse impaciente.

E apartando a de Nuno pela letra:

—Leva o resto.

O anão expressou um rictus novo na physionomia de pergaminho, sublinhou o olhar de bilis com um riso branco, e sahiu a caminho do alpendre.

Maria Peregrina abriu a carta, sobreexcitada, nervosa. Leu-a, releu-a, espectrou os mais desencontrados movimentos de alma, e quedou, muda, por muito tempo, a olhar para as pernadas secas de louro, mysteriosas, crepitantes...

A carta, dizia:

Peregrina: