Edgar—morto tragicamente junto á Fonte Verde, em Petersfield, e eu a detestá-lo quando o seu lindo corpo se encapellou na minha posse e a ter por elle, a partir da hora em que o vi morto, uma quasi paixão...

Não imaginas como estava lindo, e sem se mexer, ali, á minha ordem. Ah! senti-o bem meu naquella hora que encherá uma parte da minha vida.

Como soube ler-lhe o corpo!

De quando em quando sentia barulho. Eram as folhas a bisbilhotar horrores contra mim!

Eu tinha mêdo que revivesse, que a sua alma regressasse ao amor.

Tu nunca amaste um morto!...

Elle, muito languido, côr de sêda crua, a dar-se-me, passivamente, movendo aos meus delirios o seu corpo de ambar.

Eu, muito collada a elle, falando-lhe, emprestando amor aos seus membros perros, lendo as linhas de sua nobre belleza—um Apollo de morte, a sentí-lo a sós, sem que houvesse ali mais do que eu propria e a sua carne...

Oh! o delirio daquella tarde!

—Nunca me mostraste a ultima carta delle.