*Magdalena*. Sempre ha parentes, amigos…
*Romeiro*. Parentes!… Os mais chegados, os que eu me importava achar… contaram com a minha morte, fizeram a sua felicidade com ella; hão de jurar que me não conhecem.
*Magdalena*. Haverá tam má gente… e tam vil que tal faça?
*Romeiro*. Necessidade póde muito.—Deus lh'o perdoará se podér!
*Magdalena*. Não façaes juizos temerarios, bom romeiro.
*Romeiro*. Não faço.—De parentes, ja sei mais do que queria: amigos, tenho um; com esse, conto.
*Jorge*. Ja não sois tam infeliz.
*Magdalena*. E o que eu podér fazer-vos, todo o amparo e gasalhado que podér dar-vos, contae commigo, bom velho, e com meu marido, que hade folgar de vos proteger…
*Romeiro*. Eu ja vos pedi alguma coisa, senhora?
*Magdalena*. Pois perdoae, se vos offendi, amigo.