João Holbein n. 1498, m. 1554. Sua imaginação é sublime, o colorido vigoroso, e suas figuras tem um ar de relêvo, que engana. Em geral o pintar deste mestre parece mais Lombardo, que Flamengo.

Otam Vaen ou Vaenio n. 1556, m. 1634; formou-se no gôsto Romano, que lhe deu muita correcção de desenho, e belleza de expressão; qualidades, a que ajunctou grande intelligencia de claro-escuro.

Bloemart n. 1567, m. 1647. Um toque expedito e livre, bellas roupagens, muita sciencia de claro-escuro são os caracteres d’este pintor.

Pedro Paulo Rubens n. 1567, m. 1640. Nada será bastante para fazer descer este grande homem do grau illustre de primeiro pintor historico. Não quero, nem devo occupar-me de seus defeitos; releva-me só dizer: que o seu colorido é verdadeiro e brilhante, sua imaginação fertil, seu claro-escuro sabio, todo elle é encantador.—A galleria do Luxembourg é a sua melhor obra: mas um quadro allegorico da guerra (no palacio ducal de Florença) no meu parecer, e no de muitos, não é inferior. Fogo brilhante, nobreza poetica, côr excellente;[22] caracteres interessantes, composição precisa, intelligente distribuição de luz; tudo se juntou neste quadro; e n’um grau de formusura, a que só a allegoria póde remontar. A simples ideia deste painel vale bem uma Iliada, e todos os Klopstocks juntos talvez a não produzissem: «É a transfiguração de Rubens» dizia um philologo meu conhecido, alludindo ao célebre quadro de Raphael. «A vida dos homens sabios é o cathalogo de suas obras» diz um grande litterato[23]. Esta sentença desculpa a minha diffusão.

Seculo XVII

Antonio Wandick n. 1599, m. 1641. Foi discipulo de Rubens, e a maior honra do mestre; verdadeiro e simples na imitação da natureza. O seu genero foi o retrato, em que ninguem o excedeu.

Rembran-Van-Ryn n. 1606, m. 1674; foi grande no claro-escuro, na harmonia das côres: na imitação do relêvo. Seus quadros são conhecidos pelo fundo negro.

Vander-Kabel n. 1631, m. 1695; distinguiu-se absolutamente da sua eschola pela imitação dos Caraccis e Salvator Rosa.

Eglone-Vandernér, ou Vandernêér n. 1643, m. 1697. Um colorido vivo, um pincel mimoso lhe fizeram naturalmente procurar os assumptos amorosos, em que foi excellente.

Wanderwerff n. 1659, m. 1722. Seus toques são firmissimos, e seu desenho correcto.