Le Gros bem conhecido pintor de historia segue a David. É mui celebre o seu quadro de Francisco I, e Carlos V em S. Diniz.

Vernet, filho do paizagista do mesmo nome, e que no genero de batalhas é sem par. Só elle conseguiu exprimir com todo o fogo, e energia os brutos, que puxam o carro de Neptuno.

NOTAS DE RODAPÉ:

[25] Á excepção da Inglaterra e Russia, e tambem de Portugal, que então colhia os fructos de todas as fadigas de Pombal e Manique.

[26] Seneca Epist. 65

[27] Tinha-me feito a mim proprio uma lei de não nomear nenhum pintor vivo; mas o reconhecido merecimento destes, o serem estrangeiros, a necessidade de fallar da moderna eschola Franceza, e não podêr faze-lo de outra maneira, me obrigou a infracção da lei, e quebra do protesto.

CAPITULO IX
Dos Pintores Inglezes, e principalmente de West

West é o unico inglez, cujas obras mereçam collocar-se a par das boas das outras nações. Os Inglezes não tem o genio da pintura. A natureza do paiz não é bella, o sexo frio e desleixado; as proporções do corpo em geral irregulares, mal feitas; o caracter da nação duro e rispido; os costumes ferozes; tudo em fim concorre a impossibilitar a Gran-Bretanha de produzir bons pintores. Um inglez bem conhecido, o barão de Chesterfield o confessava, quando n’uma de suas cartas a certa dama franceza diz: Every country has talents peculiar to it, as well as fruits, or other natural productions. We here think deeply, and fathom to the very bottom. Italian thoughts are sublime to a degree beyond all comprehension. You keep the middle path, and consequently are seen followed, and beloved (Chesterfield Letters: Lett. 444.) Comtudo West soube distinguir-se de seus compatriotas por um genio vasto, e desenho correcto; mas seu caracter de pintura não é sublime; e o seu colorido (como o geral da nação) contrafeito e improprio.

CAPITULO X
Dos Pintores Portuguezes

Tem-se escripto muito, e muito controvertido sobre a Pintura portugueza, e sua historia; mas tanto nacionaes, como estrangeiros (affoitamente o digo) sem critica. O exame de seus escriptos, das obras dos nossos artistas me suscitou a ideia de entrar com o faxo da philosophia neste cahos informe e desembaraçar, quanto em mim fosse, com o fio da critica este inextricavel labyrinto. Não pretendo adiantar ideias novas: pois donde as haveria? Menos ainda refutar as poucas historicas que temos: pois que documentos poderia allegar? Mas simplesmente examinar o que ha, e dar-lhe ordem e methodo. Eis aqui o que é meu, o resto é dos escriptores, de quem o houve. Com estes dados considerei em Portugal quatro epochas de pintura, umas mais, outras menos brilhantes: por via destas divisões será por ventura mais facil o formar um systema historico desta boa-arte entre nós.