Éstas bôccas de cavernas, e outros recéssos—assim de bosques, montanhas e que taes, são em todos os paizes, pela imaginação do vulgo, povoados de entes mysteriosos e ás vezes malfazejos. Sombras de finados cantando seus hymnos terriveis, bruxas celebrando os torpes mysterios do seu sabbado, são cosmopolitas. A nossa mythologia popular tem mais outra especie de entes sobrenaturaes, que é privativa nossa.—São as moiras incantadas, que nem são bruxas, duendes nem fadas, mas lindas e amaveis creaturas que se divertem a incantar, a excitar os desejos dos pobres mortaes—e ás vezes, tam boas são! a satisfazê-los.
Não é d’este logar o exame, que sería bem curioso, da mythologia nacional portugueza. Basta dizer, como o A. de D. Branca, que devemos explorar ésta mina tam ricca, e tam pouco lavrada, de bellezas poeticas originaes e novas que, sem imprestimo nem favor alheio, podêmos haver do nosso e de casa. (Nota da primeira edição.)
Nota V
Se a ha, não lhe acudiu Deus,
Venceram peccados seus
O povo é geralmente fatalista; e o nosso portuguez o mais fatalista que eu conheço. Tinha de succeder, ra coisa que o perseguia, e outras que taes razões, são a explicação de todo o phenomeno estranho que os surprehende.
Aqui a cegueira da ignorancia leva pelo mesmo caminho que os desvarios da sciencia. A coisa é a mesma ao cabo: vaidade e presumpção humana. (Nota da primeira edição.)
Nota X
Mas diz que não ha condão