Quebrou-lhe a prima, inda bem!

DINARDO

Vedes este desar tem a musica, quando estais no melhor, leixa-vos em branco uma prima falsa...[38]

Dei mais largas á curiosa citação por ser, como é, tam indubitavel e interessante documento para a historia do romance em Portugal, e porque tambem são ja rarissimos os exemplares d’essa obra de Jorge Ferreira.

Assim andava pois este romance, extrangeiro, e por tal prezado na alta sociedade portugueza; até que, descendo dos salões para o terreiro, a popularidade o naturalizou. Era castelhano no paço, foi-se fazer portuguez na aldea.

Vai em tres seculos que Jorge Ferreira nos deu as últimas novas d’elle quando andava por casas de senhores; achamo-lo hoje á lareira d’algum pobre abegão do Alemtejo,—que para riccos lavradores, com filhas que ja contradançam talvez, senão é que walsam e polkam tambem—é o triste de muito má companhia ja. Tambem das provincias do Norte vieram noticias e cópias d’elle; dos Açores é a mais completa ou a mais extensa que me chegou. Desvairados nomes traz das diversas provincias: aqui é ‘Dona Leonor’ além ‘Dom João’ n’outra parte ‘Dom Carlos’ etc.

Quando ha dez annos o erudito auctor de ISABEL OU A HEROINA DE ARAGÃO[39], o publicou sob o mesmo titulo e como illustração e fundamento do seu poema, era este o quarto romance tradicional que apparecia impresso em portuguez; contando o primeiro no suspeitoso ‘Figueiredo’ de Fr. Bernardo de Brito, o segundo e terceiro na ‘Silvana’ e no ‘Bernal-Francez’ que eu publicára em 1828 em Londres.

Deixo-lhe por titulo, o que trouxe das ilhas, da ‘Donzella que vai á guerra’, porque lhe acho certa graça e simplicidade toda popular, bem propria sempre de taes rhapsodias.

São muitas as variantes, por ser este romance dos mais espalhados pelo reino, e mais favoritos do povo.