Mas em que districto d'aquellas regiões acharei eu o primeiro ministro d'elrei D. José? Por onde está Ixion e Tantalo, por onde demora Sysipho e outros maganões que taes? Não; esse é um bairro muito triste, e arrisca-se a ter por administrador algum escandecido que me atice as orelhas.

Nos Elysios com o pae Anchises e outros barbaças classicos do mesmo jaez? Eu sei? tambem isso não. Hade ser n'aquellas ilhas bemaventuradas de que falla o poeta Alceu e onde elle poz a passear, por eternas verduras, as almas tyrannicidas de Harmódio e Aristógiton…

Oh! ésta agora!… Sebastião José de Carvalho e Mello, conde de Oeiras, marquez de Pombal, de companhia com os seus inimigos politicos!… Ahi é que se ingánam; não ha amigos nem inimigos politicos em se largando o mando e as pretenções a elle. Ora, passados os umbraes da eternidade, é de fé que se não pensa mais n'isso. C. J. X., que morreu a assignar uma portaria, ja tinha largado a penna quando chegou alli pelos Prazeres; quanto mais!…

O homem hade estar nas ilhas beatas. Vamos lá…

E ei-lo alli: lá está o bom do marquez a jogar o whist com o barão de Bidefeld, com o imperador Leopoldo e com o poeta Diniz. A partida deve de ser interessante, talvez aposta essa gente toda—esses manes todos que estão á roda. Que cara que fez o marquez a um finadinho que lhe foi metter o nariz nas cartas! Quem havia de ser! O intromettido de M. de Talleyrand. Estava-lhe cahindo. Mas não viu nada: o nobre marquez sempre soube esconder o seu jôgo.

A mim é que elle ja me viu. 'Que diz? Ah!.. Sim senhor, sou portuguez; e venho fazer uma pergunta a V. Exa., esclarecer-me sôbre um ponto importante.'

Deitou-me a tremenda luneta.

—'Para que mandou V. Exa. arrancar as vinhas do Ribatejo?'

Apertou a luneta no sobrôlho e sorriu-se.

—'Ellas ahi estão centuplicadas, que até ja invadiram o pinhal de
Azambuja. Fez V. Exa. um despotismo inutil; e agora…'