Ai! que isso mereço eu, oh sim.

Deixa-me parar aqui. Falta-me o ânimo para me estar vendo a este terrivel espelho moral em que jurei mirar-me para meu castigo, d'onde estou copiando o horroroso retratto de minha alma que te desenho n'este papel.

Sabía que era monstro, não tinha examinado por partes toda a hediondez das feições que me reconheço agora.

Tenho espanto e horror de mim mesmo.

CAPITULO XLVII.

Carta de Carlos a Joanninha: continúa.

Chegámos ao Inn (estalagem), triste casa solitaria no meio dos campos á borda da estrada. A malla chegava ao mesmo tempo quasi.

Eu dei a mão a Laura para sahir da caleche e entrar no coche; e apenas tivemos tempo para um convulsivo shake-hands e para nos dizer adeus! adeus! com a affectada seccura que exige a lei das conveniencias britannicas.

A malla partiu ao grande trote… E dir-te-hei a verdade ou queres que minta? Não, heide dizer-te a verdade. Pois senti como um alívio desesperado, uma consolação cruel em a ver partir. Senti o que imagino que deve sentir um infêrmo depois da operação dolorosa em que lhe amputaram parte do corpo com que já não podia viver, e que era forçoso perder ou perder a vida.

Tambem deve de ser assim a morte: um descanço apathico e nullo depois de inexplicavel padecer.