E comtudo lembro-me d'ella com pena, com sympathia… Se eu sou feito assim, meu Deus, e assim heide morrer!
Viemos para Portugal; e o resto agora da minha historia sabes tu.
Cheguei porfim ao nosso valle, todo o passado me esqueceu assim que te vi. Amei-te… não, não é verdade assim. Conheci, mal que te vi entre aquellas árvores, á luz das estrellas, conheci que era a ti so que eu tinha amado sempre, que para ti nascêra, que teu so devia ser, se eu ainda tivera coração que te dar, se a minha alma fosse capaz, fosse digna de junctar-se com essa alma d'anjo que em ti habita.
Não é, Joanna; bem o ves, bem o sentes, como eu o sinto e o vejo.
Eu sim tinha nascido para gosar as doçuras da paz e da felicidade doméstica; fui creado, estou certo, para a glória tranquilla, para as delicias modestas de um bom pae de familias.
Mas não o quiz a minha estrella. Embriagou-se de poesia a minha imaginação e perdeu-se: não me recobro mais. A mulher que me amar hade ser infeliz por fôrça, a que me intregar o seu destino, hade vê-lo perdido.
Não quero, não posso, não devo amar a ninguem mais.
A desolação e o oppróbrio entraram no seio da nossa familia. Eu renuncio para sempre ao lar doméstico, a tudo quanto quiz, a tudo quanto posso querer. Deus que me castigue, se ousa fazer uma injustiça, porque eu não me fiz o que sou, não me talhei a minha sorte, e a fatalidade que me persegue não é obra minha.
Adeus Joanna, adeus prima querida, adeus irman da minha alma! Tu accompanha nossa avó, tu consola esse infeliz que é o auctor da sua e das nossas desgraças. Tu, sim, que podes; e esquece-me.
Eu, que nem morrer ja posso, que vejo terminar desgraçadamente ésta guerra no unico momento em que a podia abençoar, em que ella podia felicitar-me com uma balla que me mandasse aqui bem direita ao coração, eu que farei?