Ora a charneca d'entre Cartaxo e Santarem, áquella hora que a passámos, começava a ter esse tom, e a achar-lhe eu esse incanto indefinivel.
Sentia-me disposto a fazer versos… a quê? Não sei.
Felizmente que não estava so; e escapei de mais essa caturrice.
Mas foi como se os fizesse, os versos, como se os estivesse fazendo, porque me deixei cahir n'um verdadeiro estado poetico de distracção, de mudez—cessou-me a vida toda de relação, e não me sentia existir senão por dentro.
Derepente acordou-me do lethargo uma voz que bradou:—'Foi aqui!… aqui é que foi, não ha dúvida'.
—'Foi aqui o quê?'
—'A última revista do imperador'.
—'A última revista! Como assim a última revista! Quando? Pois?…'
Então cahi completamente em mim, e recordei-me, com amargura e desconsolação, dos tremendos sacrificios a que foi condemnada ésta geração, Deus sabe para quê—Deus sabe se para expiar as faltas de nossos passados, se para comprar a felicidade de nossos vindouros…
O certo é que alli comeffeito passára o imperador D. Pedro a sua última revista ao exército liberal. Foi depois da batalha d'Almoster, uma das mais lidadas e das mais insanguentadas d'aquella triste guerra.