Á esquerda do valle, e abrigado do norte pela montanha que alli se corta quasi a pique, está um masisso de verdura do mais bello viço e variedade. A faia, o freixo, o alamo enterlaçam os ramos amigos; a madresilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões; a congossa, os fettos, a malva-rosa do vallado vestem e alcatifam o chão.

Para mais realçar a belleza do quadro, ve-se por entre um claro das árvores a janella meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada—com certo ar de confôrto grosseiro, e carregada na côr pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janella é larga e baixa; parece mais ornada e tambem mais antiga que o resto do edificio que todavia mal se ve…

Interessou-me aquella janella.

Quem terá o bom gôsto e a fortuna de morar alli?

Parei e puz-me a namorar a janella.

Incantava-me, tinha-me alli como n'um feitiço.

Pareceu-me entrever uma cortina branca… e um vulto por de traz…
Imaginarão decerto! Se o vulto fosse feminino!.. era completo o romance.

Como hade ser bello ver pôr o sol d'aquella janella!..

E ouvir cantar os rouxinoes!..

E ver raiar uma alvorada de maio!..