—'A menina dos rouxinões! Que cantiga é essa que me cantas tu lá?'
O soldado deu a explicação popular do seu ditto, mostrou a casa do valle, e continuava incarecendo sôbre os meritos e virtudes de Joanninha…
O official não o deixou acabar:
—'Para a rettaguarda, e silencio!'
Foi rapidamente postar, a alguma distancia d'alli, as duas sentinellas que lhe faltavam; e elle entrou so no pequeno grupo d'árvores.
Era Joanninha que estava alli, Joanninha que effectivamente dormia a somno sôlto.
CAPITULO XX.
Joanninha adormecida—O demi-jour da coquette.—Poesia do Flos-sanctorum.—De como os rouxinoes acompanhavam sempre a menina do seu nome; e do bem que um d'elles cantava no bivac.—Retratto esquissado á pressa para satisfazer ás amaveis leitoras.—Pondera-se o triste e pessimo gôsto dos nossos governantes em tirarem as honras militares ao mais elegante e mais nacional uniforme do exército portuguez.—Em que se parece o auctor da presente obra com um pintor da edade-média.—De como os abraços, por mais apertados que sejam, e os beijos, por mais interminaveis que pareçam, sempre teem de acabar porfim.
Sôbre uma especie de banco rustico de verdura, tapeçado de grammas e de macella brava, Joanninha, meio recostada, meio deitada, dormia profundamente.
A luz baça do crepusculo, coada ainda pelos ramos das árvores, illuminava tibiamente as expressivas feições da donzella; e as fórmas graciosas de seu corpo se desenhavam molle e voluptuosamente no fundo vaporoso e vago das exhalações da terra, com uma incerteza e indecisão de contornos que redobrava o incanto do quadro, e permittia á imaginação exaltada percorrer toda a escalla d'harmonia das graças femininas.