TIGELLINO.

Tudo isto só servirá para arrastar Octavia ao laço onde já cahirão, Agrippina, Burrho e tantos outros. Se desejas a morte de tua rival, deixa que novo terror augmente no corarão de Néro o medo antigo. Elle ainda não manifestou todo o sou pensamento, mas eu sei que nada ha que tanto o domine como a sua pusilanimidade. Roma, pedindo o regresso de Octavia, pronunciou a sentença de morte da propria Octavia.

POPPÉA.

É certo; mas, se ella conseguir reconquistar por um momento só a antiga influencia...

TIGELLINO.

Não, não o receies; Octavia não conhece o caminho que vai ter ao coração de Néro; sua virtude austera irrita o espirito do esposo; sua obediencia, seu amor, sua timidez desagradão-lhe igualmente; Néro detesta em Octavia todos estes meios de seducção que a nós tanto approveitão. Falla, o que deverei fazer?

POPPÉA.

Emprega toda a tua perspicacia em saber o que se passa e todo o zelo em dizer-m'o; cumpre prever tudo; tornar Octavia ainda mais desprezivel; descobrir mil meios de perdê-la e lembra-los a Néro; inventar crimes de que ella nem sequer tenha idéa; desinvolver toda a astucia de que és capaz; ir, vir, occupar o espirito do imperador, engana-lo, cega-lo e estar sempre alerta. Eis aqui o que te cumpre fazer.

TIGELLINO.

Assim o farei, mas creio que os projectos de Néro já estão assentados. Fica certa de que elle não precisa de lições para exercer vinganças e bem sabes que lhe exacerba a colera quem quer mostrar que sabe tanto como elle.