Incorreu ella no meu odio; queres maior crime? Mas, é porventura preciso que eu motive a minha vontade?
TIGELLINO.
Demais! Ainda não podeste reduzir este povo impio á degradação que elle tanto merece. Conservou-se silencioso, é certo, em face das fogueiras de Agrippina e de Claudio; calou-se ainda ao ver a de Britannico; entretanto hoje deplora a sorte de Octavia e atreve-se a murmurar. Patentêa-lhe os crimes de Octavia e a plebe emmudecerá.
NÉRO.
Nunca amei esta mulher; pelo contrario, aborreci-a sempre; ella teve a audacia de chorar por seu irmão; vi-a obedecer cegamente á cruel Agrippina; mais de uma vez tem repetido o nome de seus antepassados que empunhárão o sceptro; cada um destes actos é um crime e tanto me basta para julga-la digna de castigo. Sua sentença está lavrada! Chegue ella, e minha vontade será feita. Roma saberá que Octavia deixou de viver; são estas as contas que de minhas acções devo aos Romanos.
TIGELLINO.
Senhor, tremo por ti. Não é prudente affrontar a plebe enfurecida. Se podes inflingir a essa mulher justo castigo, porque queres que ella pareça victima de tua vontade absoluta? Não fôra melhor desvendar os seus maiores delictos, mostra-la ao povo criminosa como ella é, emquanto a julgão innocente?
NÉRO.
Commetteu ella porventura outros crimes... e maiores?