Donde te vem tão vehemente desejo de me ser util? Fostes alguma vez meu amigo? És mesmo neste momento? Que outro motivo, senão o desejo de molestar-me, te póde fazer proceder deste modo?
SENECA.
Certamente, eu não desejaria prestar-te um serviço, se a minha vinda aqui não devesse ser util a Octavia. A compaixão, que essa mulher innocente e illustre me inspira, o amor da justiça e o desgosto profundo de uma vida importuna e vergonhosa obrigão-me a fallar. Teu proprio interesse é o que unicamente te deve forçar a ouvir-me.
POPPÉA.
Eu te ouço. O que tens a dizer-me?
SENECA.
Que breve perderás a affeição de Néro, se o povo continuar a odiar-te. Digo-te a verdade; bem sabes que conheço Néro, os Romanos, o seculo em que vivemos e a ti mesma, Poppéa.
POPPÉA.
Conheces tudo, mas não te conheces a ti.