Quando voltavam as náus da India, perguntava talvez ao formoso rio, se com ellas teria vindo alguma saudade de Pero da Covilhan!...
E depois da morte de D. Leonor, quando retirava da janella, ia ajoelhar sobre a sepultura da rainha, orava alli, durante algum tempo, no maior recolhimento, e deixava a lapide orvalhada de lagrimas!... [{242}]
[{243}]
[NOTAS]
[A]
[PAG. 3.]—«... de encobrir com a mantilha um dos seus formosissimos olhos». Como referimos no Cap. XI, o tarbah das musulmanas serve-lhes de abáfo e tambem lhes véla o rosto, não deixando algumas vêr senão um dos olhos. É de presumir, que as andaluzas herdassem d'ellas este costume.
[B]
[PAG. 26.]—«...a ponto de provocar a formação das Hermandades». Estas confrarias politicas, instituição popular da edade media, excluiam por essencia o influxo da auctoridade real e serviam não só para manter a segurança publica, senão que velavam egualmente pela conservação dos fóros e liberdade dos povos e communidades que as formavam. Eram uma força importantissima, que os reis catholicos habilmente aproveitaram depois, fazendo depender do governo do Estado a disciplina e constituição d'ella. Organisando as capitanias e mais tropas da Hermandad, aquelles principes lográram ter um corpo permanente de exercito, prompto a conter em respeito o poder dos magnates. Foi um ensaio de milicia nacional, paga immediatamente pelos povos, e que muito contribuiu, para que a corôa se emancipasse da influição e dependencia da mais incommoda e turbulenta oligarchia.[{244}]
Muito antes de conflicto do Toro já existia a «santa hermandad», e não foi «organisada contra as tropas portuguezas», que depois d'elle se limitavam a saquear as terras, a praticar actos de bandidos, como erradamente affirma o Sr. Oliveira Martins em O Principe Perfeito.
[C]
[PAG. 33.]—«Não é d'este modo, que deve comprehender-se a missão da historia». Clemencin, referindo-se aos historiadores e chronistas ácerca do silencio de uns e das diminutas noticias de outros, em assumpto de tanta monta, como a successão á corôa de Castella por morte de Henrique IV, diz: «o fallar tinha inconvenientes, e a relação inteira e veridica do succedido podia offender a pessoas auctorisadas e poderosas».