Na galeria superior sente-se rir e folgar. São as donzellas da duqueza. O sol não as incommoda, porque todo o vão do pateo está coberto com um grande toldo. Uma d'ellas, desviando-se das companheiras, vê no jardim, perto do tanque, um pagem, e pergunta-lhe com ineffavel meiguice:
—Estais a despedir-vos das flores, Perico?...
—Quem sabe, se tornarei a vê-las!...—respondeo[{10}] o pagem com pronunciado acento de tristeza.
—Pois porque não haveis de voltar?...
—Deus o sabe; mas diz-me o coração, que nunca mais verei Sevilha!...
—Tem cousas o vosso coração!... Deixai-o cá, para não vos ir atormentando com presagios pelo caminho...
As outras donzellas, que tiveram curiosidade de saber, com quem a sua companheira conversava, accorreram no momento em que Pero fazia esta pergunta á sua interlocutora:
—Se eu podésse arrancar o coração do peito, de quem poderia confia-lo, na certeza de que ficaria bem guardado?
—De mim!—exclamam todas a um tempo.
—Como elle não póde repartir-se,—ponderou o pagem—entrega-lo-hia a Beatriz.