—Melhor é, pois, desthronar já D. Henrique!...
—Óra até que chegámos ao ponto, por onde deviamos ter começado!—exclamou o arcebispo com mal contido júbilo, e, compondo o aspecto, de seu natural severo, accrescentou: e quem hade impedir-nos de o realizar?...
—Pois bem!... Mas antes de tudo o monarcha assignará as pazes com o rei de Aragão, afim de evitar, que continue a suspeita de qualquer accordo nosso com a côrte aragoneza...
—É habil esse lance!...—ponderou o arcebispo—Comtudo não vos esqueçais do arcebispo de Sevilha...
—Seguramente...
—Vejo, que nos comprehendemos...
—Resta saber, quem nos convirá no throno, cuja dignidade tratamos de restaurar...
—O infante D. Affonso; por isso mesmo que é uma creança tão debil e apoucada, como seu irmão. Agrada-vos?...—concluio o arcebispo, sorrindo ironicamente.
—É uma creança que substitue outra...—observou Vilhena.
—É; mas D. Henrique retirou-nos a sua confiança,[{22}] e D. Affonso hade obedecer ás nossas inspirações...