E aqui me deixaria longamente a palestrar com os leitores sobre os meritos da obra, que deante dos seus olhos vae deslisar, se não reparasse em qual deve ser já a sua impaciencia, e em como é tempo de os deixar a sós com o dono da casa, do qual sabem já que teem a esperar uma recepção de primôr.

26 de fevereiro de 1897.

FERNANDES COSTA.

[{XVI}]

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[ADVERTENCIA]

O episodio, que vae ler-se, é, como todos os episodios romanticos, um pequeno espelho. Procurei dispô-lo em termos de reflectir uma luz calma e pura, como o céo transparente e sereno, e não reprezentar a vasa de lodaçaes, d'essas miserias, que são a mais viva chaga social de todos os tempos, o terrivel problema a resolver, o alpha e o omega das civilisações.

Sem sacrificar nem a sombra da verdade historica, não tive de roçar por impudencias, nem de envolver-me em meandros asquerosos, salvo no incidente da successão á corôa de Castella.[{XVIII}]

Não accuso de immoraes os que revolvem o lôdo.

A quem deixa estagnar a agua, pertence mórmente a responsabilidade na formação dos atoleiros. Mas alguns escriptores teem olhos de lynce para descobrir o mal, e de toupeira para enxergar o bem: uma cegueira lamentavel em ambos os casos.