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Rita Farinha (Fev. 2009)

O Presbyterio da Montanha:
[Volume I]
[Volume II]

Obras completas de A. F. de Castilho

XIX

O Presbyterio
da Montanha

VOLUME I

LISBOA
EMPREZA DA HISTORIA DE PORTUGAL
95, Rua Augusta, 95
1905

OBRAS COMPLETAS
DE
ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO

VOLUME 19.º

VOLUMES PUBLICADOS:

I Amor e melancolia.
II A chave do enigma.
III Cartas de Ecco e Narciso.
IV Felicidade pela agricultura (1.º v.)
V Felicidade pela agricultura (2.º v.)
VI A primavera (1.º vol.)
VII A primavera (2.º vol.)
VIII Vivos e mortos—Apreciações moraes, litterarias, e artisticas.
IX Vivos e mortos (2.º vol.)
X Vivos e mortos (3.º vol.)
XI Vivos e mortos (4.º vol.)
XII Vivos e mortos (5.º vol.)
XIII Vivos e mortos (6.º vol.)
XIV Vivos e mortos (7.º vol.)
XV Vivos e mortos (8.º vol.)
XVI Excavações poeticas (1.º vol.)
XVII Excavações poeticas (2.º vol.)
XVIII Excavações poeticas (3.º vol.)
XIX O Presbyterio da montanha (1.º v.)

NO PRÈLO:

XX O Presbyterio da montanha (2.º v.)

OBRAS COMPLETAS DE A. F. DE CASTILHO
Revistas, annotadas, e prefaciadas por um de seus filhos

XIX

O Presbyterio
da
Montanha

VOLUME I

LISBOA
Empreza da Historia de Portugal
Sociedade Editora

LIVRARIA MODERNA TYPOGRAPHIA
RuaAugusta, 95 45, Rua Ivens, 47

1905

Advertencia dos Editores

Á MEMORIA
DO
EXEMPLAR DE IRMÃOS

AUGUSTO FREDERICO DE CASTILHO
PRIOR DE
S. Mamede da Castanheira do Vouga

Em testemunho publico e perenne
DE
AFFECTO E GRATIDÃO

Offerece
Antonio Feliciano de Castilho

PREAMBULO

I

...dapibus mensas oneramus inemptis,

*

II

*

*

III

*

IV

V

VI

*

VII

*

*

VIII

IX

*

*

X

*

XI

*

*

*

*

*

XII

*

*

*

XIII

*

*

*

XIV

*

*

*

*

*

XV

*

*

Negreja ao réz do Tibre annoso Helerno,

santo bosque, onde levam sacrificios
inda agora os Pontífices romanos.

Ali nasceu outr'ora, ali vivia

a que nossos avós chamavam Grane,
casta Nympha, de excelsos pretensores

pedida vezes mil e em vão pedida.
Era seu exercicio errar nos campos,
as feras perseguir com dardo agudo,
e as redes emboscar nos fundos valles.
Inda que aljava ao lado não trouxesse,
criam-n-a irman de Phebo; o parentesco
não poderia, ó Phebo, envergonhar-te.

Quando algum namorado a requestava,

tinha prompta a resposta.—«Aqui,—dizia—
ha nímia luz, e a luz dobra a vergonha...
Se preferes entrar n'aquella gruta,
sigo-te.»—Á gruta o crédulo voava;
ella torcia o passo, ia á carreira
das moitas na espessura homisiar-se;
d'ali desencantal-a era impossivel.

Viu-a Jano, e de a ver ficou perdido;

combateu lhe o rigor com brandos rogos,
e a sólita resposta obteve em prémio:
que entrasse além na gruta. Obedeceu-lhe;
segue-o a principio a Nympha... eis pára... eis foge.
O que lhe fica apóz vê Jano. Ó louca,
no usado esconderijo em vão confias;
olha como t'o observa, e t'o devassa.
Não ha que resistir-lhe... eis-te em seus braços;
eil-o comtigo a sós na cava penha,
onde havias buscado o teu refugio.

Saciados os sôffregos desejos,

—«Em paga d'este goso—exclama o Nume—
dos quícios a tutella eu te confio;
pela honra perdida esta conserva.»
Assim falando, candida varinha
lhe entrega, com que os tétricos asares
das protegidas portas afugente.

Existem de brutal voracidade

umas infames aves; não já essas
que de Phineu a meza espoliavam,
mas da mesma relé: cabeça grande,
fito olhar, bico audaz, grizalhas plumas,
garra adunca; esvoaçam pela noite;
onde encontram creança ao desamparo,
que a ama deixou só, prestes a empólgam,
arrancam-n-a do berço, e a dilaceram.
Diz que as lactentes vísceras co'os róstros
lhes picam, lhes devoram; teem as fauces
sempre repletas de sorvido sangue.
Do estridor com que as trevas alvorótam,
lhes vem o nome: estriges se nomeiam.

Estas pois, quer de si nascessem aves,

quer em aves, de velhas que antes foram,
fatal conjuro marso as encantasse,
penetraram de Proca no aposento.

Com cinco soes de edade, o innocentinho

era ao bando ferino egregio pasto.
Já co'as gulosas linguas ferem, sugam
o tenro peito nu; sôam do infante
os consternados trémulos vagidos,
com que, á falta de voz, auxilio pede.

Corre a ama assustada; acha nas faces

do caro alumno seu lavado em sangue
das brutas garras os crueis vestigios.
¿Que fará? vê-lhe o rosto exangue, murcho,
que na côr arremeda as tardas folhas
já do rígido inverno bafejadas.

Corre a Grane; o successo lhe relata.

—«Cobra valor—a Nympha lhe responde;—
viverá teu alumno.»

Entrada ao berço,

acha a mãe, acha o pae, sôltos em pranto.

—«Eis-me; enxugae as lágrimas—exclama;—

vou tornar-vol-o são.» Diz, e tres vezes
de medronheiro com frondosa vara
fere da estancia as portas; outras tantas
co'a mesma vara o limiar sinála;
rega o ádito; as aguas com que o rega
encerram salutifera mistura.
Entranhas cruas de bimestre porca
toma nas mãos, e diz:

—«Aves da noite,

í-vos, deixae as puerís entranhas.
N'esta pequena victima tenrinha
o tenro pequenino aqui resgato;
é coração por coração; tomae-o;
por visceras são visceras; redima
esta existencia immunda outra mais nobre.»

Finda a sacra oblação, corta o deventre,

e esmiunçado o vai pôr aos ares livres,
prohibindo do rito ás testemunhas
olhal-a então ninguem; por fim colloca
a vara de oxiacanta, o don de Jano,
na janellinha que dá luz ao quarto.

Consta que desde então não mais volveram

ao berço aves ruins; saude, cores,
tudo refloresceu no innocentinho. [3]

*

XVI

*

*

O loireiro bate bate,
que eu bem o sinto bater.
Para comigo cantares
has-de tornar a nascer.
Á couve se come a folha;
come-se a raiz ao nabo.
Só te espero ver casado
sendo mulher o diabo.
Navio d'el-Rei é grande,
é grande e chega ao Brazil.
Se namorares alguma,
não seja á luz do candil.
Sequidão cria o centeio,
frescura cria os repolhos.
¡Quem me estreára comtigo,
menina, os lençoes de folhos!

Al porto di Livorno
è giunto un bastimento.
Cara, morir mi sento!
mi sento, o Dio, mancar!

XVII

*

XVIII

*

*

*

—Ó ia, eu te digo ó Maria,
Ó iga, que se tu és minha amiga,
Ó á, botes as cabras para cá,
Ó enda para me ajudares a comer a merenda,
Ó eijo, que tenho aqui brôa e queijo,
Ó ôas, e umas maçans muito bôas.

XIX

*

*

*

.....que derruba o chapeo,

Nympharum domus.....

.....vivo sedilia saxo.

*

*

*

—¿San-João das barbas doiradas,
onde foste ter as orvalhadas?
—Fui as ter áquellas hortas,
recordar aquellas cachopas.
Recordae, recordae, perguiçosas,
que da fonte já veem as formosas,
com as talhas cheias de cravos,
que lh'os deram os seus namorados,
com as talhas cheias de flores,
que lh'as deram os seus amores.
San-João, rico cavalleiro,
companheiro de Nosso Senhor,
acompanhae a minha alma
quando d'este mundo fôr.
—¿Por que tendes, San-João,
esses sapatinhos brancos?
—Para passear ás moças
domingos e dias santos.
—¿D'onde vindes, San-João,
que assim cheirais á macella?
—Venho da serra da Estrella,
de fazer uma capella.
—¿D'onde vindes, San-João,
pela calma sem chapeo?
—Venho beber agua fresca,
que faz calor lá no ceo.

*

*

*

*

*

XX

*

XXI

........ munera nondum
Intellecta deum!....

..... Oh ubi campi!

*

Parve, nec invideo, sine me, liber, ibis in Urbem.

*

*

*

*

*

*

XXII

*

*

*

*

*

XXIII

*

XXIV

*

*

*

XXV

*

*

*

XXVI

*

FIM DO PROLOGO

Notas de Castilho a este Preambulo


NOTA I

Fontes de estudo

NOTA II

Parochos

FIM DO PRIMEIRO VOLUME

Os Editores

[2] Existe ainda este cedro que tem alcançado descommunal corpulencia. Chamam-lhe por lá o cedro do poeta, ou do Castilho.

Os Editores.

Os Editores.

Os Editores.


EMPREZA DA HISTORIA DE PORTUGAL
Sociedade editora

Livraria Moderna
95—RUA AUGUSTA—LISBOA

Obras completas de A. F. de Castilho

XX

O Presbyterio
da Montanha

VOLUME II

LISBOA
EMPREZA DA HISTORIA DE PORTUGAL
95, Rua Augusta, 95
1905

OBRAS COMPLETAS
DE
ANTONIO FELICIANO DE CASTILHO

VOLUME 20.º

VOLUMES PUBLICADOS:

I Amor e melancolia.
II A chave do enigma.
III Cartas de Ecco e Narciso.
IV Felicidade pela agricultura (1.º v.)
V Felicidade pela agricultura (2.º v.)
VI A primavera (1.º vol.)
VII A primavera (2.º vol.)
VIII Vivos e mortos—Apreciações moraes, litterarias, e artisticas.
IX Vivos e mortos (2.º vol.)
X Vivos e mortos (3.º vol.)
XI Vivos e mortos (4.º vol.)
XII Vivos e mortos (5.º vol.)
XIII Vivos e mortos (6.º vol.)
XIV Vivos e mortos (7.º vol.)
XV Vivos e mortos (8.º vol.)
XVI Excavações poeticas (1.º vol.)
XVII Excavações poeticas (2.º vol.)
XVIII Excavações poeticas (3.º vol.)
XIX O Presbyterio da montanha (1.º v.)
XXO Presbyterio da montanha (2.º v.)

NO PRÉLO:

XXI O Outono.

OBRAS COMPLETAS DE A. F. DE CASTILHO
Revistas, annotadas, e prefaciadas por um de seus filhos

XX

O Presbyterio
da
Montanha

VOLUME II

LISBOA
Empreza da Historia de Portugal
Sociedade Editora

LIVRARIA MODERNA TYPOGRAPHIA
RuaAugusta, 95 45, Rua Ivens, 47

1905

I

A PRIMEIRA NOITE NA SERRA

... Ibi hæc incondita solus
montibus et silvis studio jactabat inani.

¿Vélo? ¿Sonho? ¿Deliro?! ¿Em solitario monte,
que se espanta de ver-me, e cuja austéra fronte
nada avistou jamais, no amplissimo horizonte,
de mundo a tumultuar, de cidades a rir...

n'este ermo ignaro, frio, mudo...

aqui... (¿deliro? ¿ou sonho?) aqui meu lar, meu tudo!

¡o meu presente e o meu porvir!

Genio invisivel da montanha,
de astros, de sol, o ceo te banha;
o mar de longe te acompanha
no livre cantico sem fim.

Escada de Jacob da terra ao firmamento,

a mansão tua é monumento

da potencia, do amor, das glorias d'Eloïm.

Emquanto, em derredor do solio teu sublime,
a baixa terra vil que a instavel sorte opprime,
se volve, se transforma, e sua angustia exprime
n'um continuo anhelar, n'um confuso clamor,

a variedades sobranceiro

mantens-te qual surgiste, e do cahos primeiro,

e do diluvio assolador.

Silencio e paz comtigo habita;
o ermo é como o eremita;
loucas vaidades não cogita;
ama o seu rustico trajar;

em apparente inercia ama que ferva occulto

de seus affectos o tumulto,

seus extasis, seus ais, seus gostos, seu orar.

Sim, Genio da montanha, Archanjo de poesia:
eu creio em ti; eu creio em que alma ingenua, pia,
póde ouvir de tua harpa a casta melodia,
e abrazar-se de amor e endoidecer por ti;

sim; mas eu, frivolo, profano,

á solidão extranho, affeito ao mundo insano,

¿que hei-de esperar? ¿que tenho aqui?

Toda a minh'alma se entristece,
e se confrange, e se ennoitece,
ao ver que a sorte lhe destece
de um sopro os aureos sonhos seus.

Sonhava applausos, gloria... ¡em desterro desperto!

sonhava mundo... ¡acho um deserto!

sonhava inda illusões... ¡e escuto-lhes o adeus!

Náufrago, perco a lyra em meio da viagem.
¡Desço vivo ao sepulcro! ¡Em ti, fatal paragem,
quem me resurgirá? Dos montes a linguagem...
oiço... escuto... medito... e em vão quero entender

é como uns sons de ignota fala;

qual ás penhas o mar, me inunda e me resvala,

sem me abalar, nem me embeber.

¡Oh! ¿á minh'alma taciturna
que importa, ó montanha soturna,
que de perfumes sejas urna
da terra erguida sobre o altar?

¿que o ceo te ria azul, mais amplo e mais de perto,

que o sol doirado, ao teu deserto

mais cedo suba, e á tarde o desça com pesar?

Vir mais tardia a noite, a aurora vir mais cedo,
¿que me aproveita? Inerte entre o immovel fraguedo,
só ouvindo os tufões e os corvos no arvoredo,
bramirei:—«¡Cresce o tempo! ¡oh! ¡supplicio cruel!

¡são mais pesares, mais saudades,

mais estro a arder em vão, mais visões de cidades,

mais tentações a dar-me fel!...»

¡Ai! ¡mundo! ¡ai! ¡eccos seductores!
¡Tanto vate a ceifar louvores!...
¡Tanto moço a colher amores!...
¡Tantos loireiros e rosaes!...

E eu n'esta solidão a torcer-me arraigado,

qual roble que geme indignado,

vendo ao longe no Oceano os lenhos triumphaes!

Assim ruge, baldão de vingativo nume,
esse que a argilla outr'ora encheu de ethereo lume;
assim, nos gelos sua, agrilhoado ao cume
do caucáseo alcantil, seu cadafalso atroz.

Só o abutre de eterna fome,

que o grande coração algoz sem fim lhe come,

responde em ais á sua voz.

Fenece o dia. ¡Hora jocunda,
que eu tanto amava! ¡hora fecunda
dos cantos meus! ¿por que me inunda
nova amargura o coração?

¿Sino crepuscular, tôas funéreo dobre?

a serra em luto se me encobre;

a nocturna mudez duplica a solidão.

Nenhuma luz scintilla; humana voz não sôa.
De estrellas a accender-se o Empyrio se povôa;
tal a fada Coimbra, a senhoril Lisboa,
nest'hora a quem as olha, entram no escuro a abrir

de luzeiros um labyrinto.

¡Ceos! ¡Não oiço eu troar... seus coches!... O que sinto

é vento em selvas a rugir.

Calae, fugi, ventos agrestes;
sumi-vos, lampadas celestes;
n'um seio a delirios já prestes
não susciteis mais tentações.

Ou antes... aturdi-me, Euros bravos; ou antes...

vós, astros, cifras de diamantes,

o arcano me aclarae lá d'essas regiões.

¡Oh! ¡se á minha razão, contradictoria, altiva,
que ás trevas sente horror, e á clara Fé se esquiva,
de vós, faroes do Ceo, baixasse a crença viva,
que aos moradores do ermo inspira a vossa luz!...

¡se me volvesseis as ditosas

esp'ranças que hei perdido, alvas, ethereas rosas,

com que se enfeita e esconde a Cruz!...

Tornar-se-me-hiam de improviso
a solidão, em paraizo;
a magua, em perenne sorriso;
em alto cantico, a mudez;

a mallograda lyra, o não colhido loiro,

em harpa augusta, em palmas d'oiro;

e o monte, solio então, veria o mundo aos pés.

Delirios sempre vãos, fugi de um peito enfermo;
tu, só tu, negra morte, has-de ao meu mal pôr termo;
ermo para ambições, é inferno, e não ermo;
para a humilde piedade é que elle espelha o Ceo.

Gentis phantasmas de cidades,

vinde, escondei-me o ermo em vossas claridades,

como um esquife em aureo veo.

¡Vinde, cercae-me, endoidecei-me,
(embora em saudades me eu queime)!
O somno, as vigilias enchei-me
da vossa esplendida vizão.

¿Val o riso choroso as festas da loucura?

vinde, guiae-me á sepultura,

crente no amor, na gloria, e rindo á solidão.

¡Eu blasphemo, eu desvairo! Aos encontrados votos,
nem ecco respondeu n'estes covões ignotos.
Não, cumes glaciaes, tão outros, tão remotos
dos sitios que eu amava, e em que esperei morrer;

não, no silvestre seio vosso,

nem de amenas ficções apascentar-me posso,

nem menos as posso esquecer.

¡Valor! ¡valor! ¿Quem do futuro
sondou jamais o abysmo escuro?
¡Apenas chego e já murmuro!
¿O de que tremo acaso sei?

Esperemos: talvez que inglorios, mas doirados,

aqui me aguardem, recatados,

dias de estro e de paz, quaes nunca disfrutei.

Se além, no presbyterio, humillima choupana,
(Vaticano, e Queluz da pobre grei serrana)
mais que fraterno amor sollícito se afana
em me afôfar o ninho, a vida em me inflorar;

se n'um retiro verde e mudo,

por elle tenho o leito, a mesa, o doce estudo,

sombras no estio, o inverno ao lar;

se a solidão que me apavora,
sómente o fôr vista de fóra;
se em seus recôncavos demora
gente feliz, povo de irmãos;

se do antigo viver, das crenças de outra edade,

vestigios guarda a soledade;

se poesia se vive entre estes aldeãos;

se a alegria, serena, isenta de pesares,
como a fresca saude, habita os puros ares;
se em toda a parte ha Deus, em céos, em terra, e mares,
se Deus em toda a parte á Natureza ri...

coração meu, não desanimes,

gozos que não prevês, e cantos mais sublimes,

encontrarás talvez aqui.

¡Ah! sendo assim, ¡que importa a fama!
Tambem philoméla derrama
sua harmonia ás selvas que ama
longe de ouvintes e do sol.

Cantarei. ¿Meu cantar mais ambições teria

que a viva, a lustrosa poesia,