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[TEXT]
OS MEUS AMORES
TRINDADE COELHO
OS MEUS AMORES
(Contos e Balladas)
2.ª edição
LISBOA
Livraria de Antonio Maria Pereira
50, 52—Rua Augusta—52, 54
1894
LISBOA
Typographia e Stereotypia Moderna
11—Apostolos—11
Ao Doutor
Antonio Xavier PERESTRELLO
«Os Meus Amores»
Folhas dispersas dos meus annos de oiro,
Vivo enxame das minhas alvoradas,
Tenho zelos de vós, folhas sagradas,
As Desdémonas sois de um outro moiro.
As brancas horas que eu em sonhos doiro,
Essas horas febris, illuminadas,
Eil-as fugindo, em tristes debandadas...
Levaes nas azas todo o meu thesoiro.
Folhas: subi, voae ao céo tão alto,
Que o ceo em estrellas vos converta e mude,
Lá nas longinquas illusões que exalto;
Como as frementes aguas d'um açude,
Levae a Deus, no derradeiro salto,
O derradeiro adeus da juventude...
Luiz Osorio.
IDYLLIO RUSTICO
A Fialho d'Almeida.
Onde vás, ó Pastorinha,
Ai-li, ai-li, ai-li, ai-lé...
SULTÃO
(Copiado do Natural)
Ao meu Henrique e a Beldemonio, seu amigo.
I
II
ULTIMA DADIVA
Ao dr. A.A. da Fonseca Pinto.
COMEDIA
DA
PROVINCIA
A Alberto Braga.
I
PRELUDIOS DE FESTA
O ladrão do negro melro
Onde foi fazer o ninho
I
TYPOS DA TERRA
Vai alta a lua na mansão da morte
VAE VICTORIBUS!
A Maria Lucilla.
BALLADAS
A Luiz Osorio
I
MARICAS
Sei cantigas mysteriosas,
Cantigas de endoidecer,
Que os lirios dizem ás rosas,
Que as rosas me vêm dizer.
II
PARA A ESCOLA
Em Coimbra,
TRAGEDIA RUSTICA
I
Madrugada de segunda feira de entrudo, tapada dos Nobres, Alemtejo, á porta do José Grillo
II
Quarta-feira anterior a domingo gordo. Monte do Rosario. Em casa de Antonio Palma, casado com Rufina Maria
III
ABYSSUS ABYSSUM...
Deus te guie bem guiada,
Que no céo foste creada.
Ar vejo,
Lua vejo,
Estrellas vejo:
O mal do meu corpo
Pr'a tráz das costas o despejo.
MÃE!
Ao dr. J.C. da Moita Prego
ARRULHOS
A.M. da Silva Gayo.
BATALHAS DOMESTICAS
BATALHAS DOMESTICAS[1]
A Luiz Trigueiros.
N. do E.
INDICE
| Idyllio rustico | [1] |
| Sultão | [18] |
| Ultima dadiva | [41] |
| Preludios de festa | [55] |
| Typos da terra | [73] |
| Vae Victoribus | [101] |
| Maricas | [111] |
| Para a escola | [119] |
| Tragedia rustica | [131] |
| Abyssus abyssum | [153] |
| Mãe | [169] |
| Arrulhos | [179] |
| Batalhas domesticas | [195] |
OS MEUS AMORES E A CRITICA
Por donde voy me sigue como memoria tierna
tu imagen que en mi pecho conduzco en un altar;
¡y mi cerebro canta como una estrofa eterna
el coro que tus árboles entonan á la mar!
Não fazem mal as musas aos doutoures.
Folhas dispersas dos meus annos de oiro,
Vivo enxame das minhas alvoradas,
Tenho zelos de vós, folhas sagradas,
As Desdemonas sois de um outro moiro.
Os meus amores! que livro
Tão fragante e saboroso!
Scentelhas aureas e vivas,
D'um prosador luminoso!
Brisas da serra!
Trechos idylicos
Da nossa terra!»
Fernandes Casta.