TITULO I.

SECULO XVI.

1500.

Reinando em Portugal El-Rei D. Manoel, parte de Lisboa huma esquadrilha sob o commando de Pedro Alvares Cabral com destino á India, cujo caminho pelo Cabo Tormentorio ou de Boa-Esperança havia sido descoberto por Bartholomeo Dias e Vasco da Gama; porém obrigado a descambar para O. afim de desviar-se das cóstas, é acossado pelos ventos e impellido cada vez mais para este rumo. Entregue assim á mercê da Providencia, avista elle terras da America Meridional em 22 de Abril. (Muito divergem os Historiadores sobre o dia do descobrimento do Brasil; porém a opinião mais geralmente seguida, ao menos até certa época, foi a de Ozorio, Barros, e outros que assignalão a este acontecimento o dia 24 de Abril, fundados talvez na relação de um piloto que vinha nesta expedição e por isso testemunha ocular. Nós porém assignalamos o dia 22, fundados na carta que a D. Manoel escreveo Pedro Vaz de Caminha, que vinha na expedição como Escrivão da armada, testemunha ocular, e digna de todo o conceito; carta que se vê publicada pelo P. Ayres do Cazal na sua insigne--Corographia Brasilica,--e mais accuradamente nas--Noticias Ultramarinas Tom. 4.º Além disto temos em nosso apoio as autoridades mui valiosas do mesmo Cazal, de Varnaghen, de Fr. Francisco de S. Luiz no seu Indice Chronologico e de outros Escriptores. Accresce que os proprios Autores que opinão ter sido o dia 24, nos ministrão armas para nos confirmarmos nesta nossa opinião: porque o mencionado piloto assevera ter sido o descobrimento na Quarta feira do oitavario de Pascoa, que he exactamente o mesmo que diz Caminha na carta citada. Estando pois concordes huma e outra testemunha ocular no dia da semana, alguma se engana no dia do mez. E com effeito, tendo sido neste anno o dia de Pascoa em 19 de Abril (V. Taboa Chronologica da Arte de verificar as datas), Quarta feira do oitavario não podia ser senão 22, como com toda a razão diz Caminha, e não 24 como menos exactamente affirma o piloto referido).--Ao primeiro monte avistado dérão o nome de monte Pascoal e á terra Terra da Vera Cruz (que depois chamárão de Santa Cruz, e mais tarde Brasil).--Desembarca Pedro Alvares Cabral no lugar denominado mais tarde Porto seguro. No dia 1.º de Maio planta a Cruz com o padrão das Armas de Portugal em signal de solemne posse do paiz para a Corôa Portugueza. Depois de despachar para Lisboa o Capitão Gaspar de Lemos a dar parte a El-Rei da inesperada e felicissima descoberta, faz-se de véla para o Cabo de Boa-Esperança e India seu primeiro destino.

1501.

Ao mando de Gonçalo Coelho chega ao Brasil a primeira expedição Portugueza para explorar as costas das novas terras. (N'esta expedição, segundo alguns escriptores, veio tambem o celebre Americo Vespucio em serviço de Portugal. E outros, como seja Fr. Francisco de S. Luiz no seu Indice Chronologico, dão a entender que esta expedição foi commandada por Americo, o qual não só percorreo toda a costa do Brasil até o Prata, como chegou á Patagonia: porém, a darmos crédito ás cartas do próprio Americo, lá temos nas Noticias Ultramarinas, Tom. 2.º, a sua 1.ª carta, da qual se deprehende que não era elle o Capitão da expedição).

1503.

Segunda expedição é enviada ao Brasil ás ordens de Christovão Jacques. (Alguns Escriptores dizem ter sido ás ordens de Fernão de Noronha, primeiro Donatario da ilha do mesmo nome). Descobre elle a Bahia de Todos os Santos (segundo Fr. Francisco de S. Luiz na obra já citada, foi esta bahia descoberta por Americo Vespucio em huma segunda expedição que fez por mandado do Rei); e funda huma Colonia em Vera-Cruz. Depois desta expedição começa a ser levado á Europa o páo brasil, donde veio a denominação que ora tem o paiz. (Segundo alguns Escriptores, Christovão Jacques explorando as costas foi plantando padrões nos lugares mais apropriados; porém, segundo outros, cabe este feito a Martim Affonso de Sousa).

1510.

Dá á costa na Bahia de Todos os Santos hum navio Portuguez. A maior parte da tripulação e passageiros morreo ou no naufragio ou ás mãos dos Indigenas. Diogo Alvares Corrêa porém consegue a sua salvação e até fazer-se respeitado e amado desses póvos anthropophagos por ter podido salvar comsigo huma arma de fogo, com a qual ajudou-os a debellar e vencer os seus formidaveis inimigos. Denominarão-o por isso o Caramurú, que quer dizer o homem de fogo.

1515.

João Dias Solis ao serviço da Hespanha percorre a costa do Brasil desde o Cabo de Santo Agostinho até o Rio da Prata, ao qual deo o seu nome (e, posto que este rio tivesse perdido o nome de Solis para receber o de Prata, comtudo ainda hoje ha o rio de Solis que nelle desagua, e que conserva immortal o nome deste illustre navegante). N'esta viagem descobre elle a Bahia de Nictherohy, depois chamada do Rio de Janeiro. (É grave questão quem tenha sido o descobridor desta Bahia, si Americo Vespucio, si Gonçalo Coelho, si Solis, si Magalhães e Falleiro, ou si Martim Affonso. Alguns AA. até querem que tivesse sido em 1501. (V. Pizarro, Memorias do Rio de Janeiro; e Varnaghen, Notas ao Roteiro de Pero Lopes)). Esta expedição deo lugar a questões de limites e a reclamações entre Portugal e Hespanha, sobretudo á vista da celebre decisão do Papa Alexandre 6.º. O Imperador Carlos 5.º, então Rei de Hespanha, attendeo a todas as reclamações, e até punio os implicados em semelhante expedição como quebrantadores da paz entre os dous Reinos.

1519.

Entrão na Bahia do Rio de Janeiro os celebres Portuguezes Fernando de Magalhães, e Ruy Falleiro, então ao serviço de Hespanha, os quaes se destinavão a fazer o primeiro giro á roda do globo (13 de Dezembro). Partem ao depois para o seu destino; e Magalhães dá o seu nome ao estreito que communica o Atlantico ao Pacifico no S. da America entre a Patagonia e Terra-do-Fogo.

1521.

Morre El-Rei D. Manoel (13 de Dezembro).--Durante o seu reinado toda a attenção estava absorvida pela India, cujas riquezas já de muito erão conhecidas na Europa; de sorte que, não merecendo cuidado o Brasil, apenas se enviarão a povoar e colonisar o paiz degradados, criminosos, prostitutas emfim a escória da sociedade. Taes forão por muito tempo os primeiros colonos!

1521.

Sóbe ao throno D. João III, filho e successor de D. Manoel.--Melhor informado que seu Pae, e por isso muito esperando das novas terras na America, leva este Rei sua attenção para as colonias em geral, e muito especialmente para o Brasil.

1526.

Para obstar a qualquer tentativa dos estrangeiros no Brasil parte huma esquadra ao mando de Christovão Jacques. Com effeito, chegando este á Bahia de Todos os Santos encontra e mette a pique dous navios Francezes que poucos dias antes ahi havião entrado. Parte depois para o Norte, e funda nas costas de Pernambuco a primeira feitoria Portugueza, denominada Itamaracá.

1530.

Tendo-se os Francezes estabelecido na feitoria de Itamaracá, por elles occupada, envia El-Rei Duarte Coelho Pereira que os expulsa, e transfere a feitoria para Iguaraçú, poucas milhas distante da primeira.--Tendo-se tambem sabido que os Hespanhóes se achavão estabelecidos no Rio da Prata, e temendo El-Rei que elles se quizessem estender pelas terras do Brasil envia uma armada ás ordens de Martim Affonso de Sousa (3 de Dezembro).

1531.

El-Rei divide o Brasil em Capitanias hereditarias; as quaes distribue por pessoas benemeritas por seus serviços com a obrigação de povoal-as afim de obstar ás invasões estrangeiras, e aos ataques dos Indigenas.--Martim Affonso de Sousa, primeiro Donatario, chega a Pernambuco e dirige-se para o sul: entra na Bahia de Nicterohy ou Rio de Janeiro a 30 de Abril (posto que alguns Escriptores dizem ter sido ao 1.º de Janeiro de 1532, e outros ao 1.º de Janeiro de 1531. Nós porém seguimos neste ponto o Diario da Navegação de Pero Lopes, onde se pode ver a observação que faz Varnaghen a esta questão): corre ao S., e chega até o Rio da Prata. Não encontrando pela costa estabelecimento algum Hespanhol ou estrangeiro, faz-se de volta á sua Capitania.

1532.

Entra Martim Affonso na Bahia de S. Vicente na Capitania do mesmo nome (22 de Janeiro), e ahi funda elle a primeira povoação de alguma importancia no Brasil, que denomina S. Vicente. (Outros escriptores dizem ter Martim Affonso entrado no porto de Santos e depois disto fundado ao S. desta Bahia a colonia de S. Vicente. Porém abandonando esta opinião por menos bem fundada, seguimos inteiramente a relação de Pero Lopes, já tantas vezes citada). Brilhante foi a sua administração. Por meio de João Ramalho conseguio a alliança do celebre Indio Tebyriçá; e em paz com os Indigenas, só cuidou na prosperidade da colonia, introduzio as criações muares, a canna de assucar, etc.

1534.

Pero Lopes de Sousa, irmão de Martim Affonso, tendo obtido a Capitania de S. Amaro encravada na de S. Vicente, consegue fundar huma pequena colonia, não sem bastante resistencia dos Indigenas.--A Pero de Goes coube a Capitania da Parahyba do Sul; e tendo della tomado posse neste anno, vê-se obrigado a abandonal-a dentro em pouco tempo.--A Vasco Fernandes Coutinho coube a Capitania do Espirito Santo: consegue estabelecer-se nas immediações do lugar onde desembarcou Cabral, e aldêar os Indios Tupininquins ahi existentes.--A Jorge de Figueiredo Corrêa foi dada a Capitania dos Ilhéos; e a Pero do Campo Toyrinho a de Porto-Seguro. Ambas estas Capitanias florecerão dentro em pouco tempo, chegando até a de Porto-Seguro a exportar grande quantidade de assucar.

1535.

Tendo sido dada a Duarte Coelho Pereira a Capitania de Pernambuco, chega elle ao seu destino, trazendo em sua companhia grande numero de familias: e depois de expellir os temiveis Cahetés, lança os fundamentos da cidade de Olinda. Na expulsão dos Cahetés muito o auxiliárão os Indios Tabyra, Hagybe (braço de ferro), e Piragyhe (braço de peixe).--Ao celebre historiador João de Barros fôra dada a Capitania do Maranhão. Porém não lhe sendo possivel tratar immediatamente de povoar e colonisar a Capitania, cedeo-a em favor de Luiz de Mello, ao qual succede a desgraça de naufragar nos baixios do Maranhão.--A Francisco Pereira Coutinho coube a Capitania da Bahia de Todos os Santos; e chega a seu destino neste anno. (Afóra as 9 capitanias que temos mencionado, devemos ás minuciosissimas investigações do Sr. Varnaghen o conhecimento de mais 3, cujos Donatarios foram Ayres da Cunha, Fernão Alvares de Almada, e Antonio Cardoso de Barros, perfazendo assim o numero de 12, em que diz Barros fôra dividido o Brasil).

1535--1548.

Tendo sido mal succedido Luiz de Mello na Capitania do Maranhão, é João de Barros reintegrado nos seus direitos a essa Capitania. Faz elle uma sociedade com Fernão Alvares de Andrade, e Ayres da Cunha para a colonisação da Capitania. Sahe com effeito huma expedição ao mando de Ayres da Cunha; porém teve nos mesmos baixios do Maranhão o mesmo desastroso fim de Luiz de Mello (1536).--Tambem na sua Capitania he infeliz Francisco Pereira Coutinho, mas por culpa sua. E com effeito, em lugar de tratar brandamente os Indios e de procurar sua amizade e alliança, fez-lhes guerra de exterminio, chegando até a apossar-se dolosamente de Diogo Alvares Corrêa o Caramurú. A famosa Paraguassú, esposa de Caramurú, excita os Tupinambás á vingança, e obriga Coutinho a fugir. Feita porém a paz, voltava este á Bahia, quando huma furiosa tempestade o fez naufragar em Itaparíca (1548). Os que escaparão do naufragio morrerão ás mãos dos Indigenas; entre elles o proprio Coutinho: só forão poupados Caramurú, e sua comitiva.

1549.

Tendo sido dada aos Donatarios illimitada jurisdição civil e criminal sobre as suas respectivas Capitanias, concedendo-se-lhes até impor a pena de morte, mesmo ás pessoas de mór qualidade; e provindo d'ahi innumeros males porque o abuso dos Senhores Donatarios ia-se tornando intoleravel, a anarchia reinava, os colonos erão opprimidos, os Indios barbaramente perseguidos; indispensavel era que o Brasil fosse governado por huma autoridade superior que servisse de centro commum, á que todos obedecessem. Assim creou El-Rei D. João III, melhor instruido pela propria experiencia, o cargo de Governador Geral do Brasil, que confiou a Thomé de Sousa. A 28 de Março chega este á Bahia, trazendo em sua companhia os primeiros Jezuitas que pizarão no Brasil. Coadjuvado por Caramurú consegue estabelecer-se na Bahia, e funda a cidade de S. Salvador, séde do Governo.

1552.

Chega á Bahia o primeiro Bispo do Brasil D. Pedro Fernandes Sardinha; o qual consegue apaziguar por algum tempo as desavenças entre o Clero e os Jezuitas.

1553.

Thomé de Sousa retira-se e he substituido no Governo Geral por Duarte da Costa. Com o novo Governador vierão alguns Jezuitas, entre os quaes o famoso José Anchietta, denominado o Apostolo do Novo Mundo. Já com Thomé de Sousa viera Manoel da Nobrega. A estes dous Padres he o Brasil devedor de muitos e mui relevantes serviços.

1554.

Reconhecendo o Governador Geral vistas ambiciosas nos Jezuitas, nega-lhes o seu apoio. Estes retirão-se para o Sul, e fundão junto ás planicies de Piratininga huma povoação, e o Collegio de S. Paulo, donde veio o nome á cidade e provincia hoje assim chamadas.

1555.

O desejo de conquista, e a ambição de riquezas levão estrangeiros a tentarem expedições á America. Nicolau Durand Villegaignon, sob o falso pretexto de fazer propagar o Calvinismo, protegido pelo Almirante Gaspar de Coligny, chega com huma expedição Franceza á bahia de Nictherohy, e construe no centro della sobre huma pequena ilha hum forte que denominou--de Coligny--(ou Villegaignon).

1557.

Morre El-Rei D. João III. (11 de Junho). Fica na minoridade D. Sebastião, neto e successor do Rei.

1557.

He Regente do Reino a Rainha Catharina d'Austria.

1558.

Chega ao Brasil o Governador Geral Mem de Sá.

1560.

Mem de Sá expelle os Francezes do forte--Coligny. Estes fogem para o continente, onde se tornão mais fortes com o auxilio dos Tamoios.--Visita o Governador a Capitania de S. Vicente, e deixa a sua prosperidade confiada aos PP. Manoel da Nobrega, e José Anchietta, ordenando ao mesmo tempo que se transferisse para S. Paulo o estabelecimento de Santo André.--Vê-se Mem de Sá obrigado a voltar a S. Salvador para reprimir os attaques dos Aymorés que incommodavão e assolavão as Capitanias dos Ilheos e Porto-Seguro: com effeito elle os derrota.

1562.

A Rainha entrega a Regencia ao Cardeal D. Henrique.

1564.

Os Tamoyos, senhores de todo o territorio entre Rio de Janeiro e S. Vicente, formão com outros Indios huma temivel liga contra os Portuguezes e dirigem-se ousadamente a attacar a nova povoação de S. Paulo. Porém os Jezuitas ajudados pelo celebre Indio Tebyriçá (depois do baptismo Martim Affonso) salvão-a e repellem os Indigenas.--Tambem a Capitania do Espirito Santo era muito incommodada pelos Indios; e já havia perecido Fernão de Sá filho do Governador, mandado por seu Pai a debellar os selvagens.--Continuando cada vez mais terrivel a guerra feita pelos Indios, os PP. Manoel da Nobrega e José Anchietta, depois de passarem milhares de perigos obtem a paz dos Tamoyos (foi por esta occasião que José Anchietta compoz em latim e reteve de memoria o celebre poema da Virgem).--Chega á Bahia Estacio de Sá, sobrinho do Governador, enviado pela Côrte a expulsar definitivamente os Francezes.

1565--1567.

Em Março de 1565 desembarca Estacio de Sá junto ao monte Pão-d'Assucar no Rio de Janeiro. Depois de longa resistencia dos Francezes, ajudado pelo Governador seu Tio, pelos PP. Nobrega e Anchietta, e pelo Indio Ararigboia, consegue expellir definitivamente os invasores depois de lhes tomar o forte Uraçumiri (1567): porém não poude colher os louros da victoria por expirar poucos dias depois, de huma gloriosa ferida que recebera.--Os Francezes sahindo do Rio de Janeiro tentão apossar-se de Pernambuco; porém são com denodo repellidos pelo Governador da Capitania.

1568.

He acclamado Rei D. Sebastião (20 de Janeiro), tendo apenas 14 annos de idade.--Salvador Corrêa de Sá e Benavides, que muito se distinguira na expulsão dos Francezes, é nomeado Governador do Rio de Janeiro, e lança os fundamentos da Cidade de S. Sebastião na margem occidental da bahia (é hoje a Capital do Imperio), cujo plano já fôra traçado por Mem de Sá.--Auxiliado pelo celebre Ararigboia (ou Martim Affonso de Sousa, que não devemos confundir com Tebyriçá) repelle os Francezes e Tamoyos que tinhão vindo attacal-o inopinadamente para se vingarem da derrota antecedente.

1572.

Chega á Bahia o Governador Geral Luiz de Brito de Almeida; porém não logra muito tempo o governo geral do Brasil, porque a Metropole julgou conveniente dividir o Brasil em 2 governos geraes. Assim as Capitanias do N. até o Rio Belmonte estavão sujeitas a hum Governador Geral com sua séde na Bahia; as do Sul desde esse Rio até o Prata obedecião a outro Governador Geral com sua séde no Rio de Janeiro: os Governadores erão totalmente independentes hum do outro. Luiz de Brito ficou com o governo do N.; e o do S. foi confiado ao Doutor Antonio Salema.--Por esta épocha tem lugar a grande emigração dos Tupinambás para o centro do paiz, os quaes provavelmente chegárão até o Amazonas.

1573.

Sebastião Fernandes Toyrinho sahe de Porto-Seguro; e subindo o Rio Doce em busca de minas de metaes preciosos, descobre grande parte do territorio hoje occupado pela Provincia de Minas-Geraes.

1576.

He o Brasil de novo reduzido ao governo de hum só Governador Geral com sua séde na Bahia. He elle confiado a Luiz de Brito.

1578.

Diogo Lourenço da Veiga vem substituir Luiz de Brito no Governo Geral.--Por ordem sua vai João Tavares estabelecer-se na Parahyba do Norte ou Itamaracá, que fôra abandonada pelo seu primeiro Donatario.--Neste mesmo anno El-Rei D. Sebastião querendo vingar os revezes e affrontas dos Portuguezes em Africa, ávido de gloria militar, desejoso de combater os infieis, e mais que tudo incitado por vís aduladores e pelos Jezuitas, parte para Africa: onde perde a vida com a flôr do exercito na sempre terrivel e memoravel batalha de Alcaçarquivir (4 de Agosto).--He acclamado Rei o Cardeal Infante D. Henrique.

1580.

Depois de hum reinado de 16 mezes fallece o Cardeal Rei (31 de Janeiro): e deixa a corôa do Reino entregue a disputas entre varios pretendentes. Entre estes se distinguião D. Antonio, Prior do Crato, a Duqueza de Bragança, e Philippe II. de Castella--D. Antonio já havia sido escolhido e coroado, quando entra em Portugal hum exercito Hespanhol ao mando do Duque d'Alva.--Em consequencia da invasão he Philippe II. de Castella reconhecido Rei de Portugal pelas Côrtes reunidas em Thomar.--O Brasil segue portanto a sorte da Metropole, e passa ao dominio Hespanhol.--Neste mesmo anno o Governador Geral Diogo Lourenço da Veiga, achando-se prestes a morrer, entrega o governo ao Senado da Camara da Bahia e ao Ouvidor Geral Cosme Rangel de Macedo: foi este o governo interino até a chegada do novo Governador Geral.

1582.

Chega á Bahia, e toma posse do governo geral Manoel Telles Barreto.

1583.

Rompe a guerra entre Philippe II. e Izabel de Inglaterra: a formidavel esquadra Hespanhola denominada Invencivel é destroçada por hum furioso temporal.

1585.

Envolvido o Brasil na guerra entre Hespanha e Inglaterra, apparece em Santos na capitania de S. Vicente a primeira expedição Ingleza dirigida por Eduardo Fanton; o qual retira-se depois de hum combate com huma esquadrilha Hespanhola que se achava á entrada da barra.--Por este mesmo tempo Roberto Dias descendente do celebre Caramurú, tendo feito viagens ao interior do Brasil e recolhido immensa quantidade de prata, vai offerecer-se a Philippe II. para revelar-lhe o segredo da existencia das minas deste metal, obtendo em recompensa o titulo de Marquez das Minas. Sendo-lhe isto negado, morre sem descobrir o segredo.

1588.

Nova expedição Ingleza, commandada por Roberto Withrington chega á Bahia: e, depois de assolar o Reconcavo, não podendo tomar a cidade, faz-se de vela.

1590.

Christovão de Barros, Governador interino do Brazil, recebe ordem para repellir os Indios que infestavão as povoações de Itapicurú e Villa-Real.--Lanção-se os fundamentos da cidade de S. Christovão na foz do rio Cotindiba.

1591.

Huma esquadrilha Ingleza ao mando do pirata Thomaz Cavendish attaca a villa de Santos na capitania de S. Vicente. Os habitantes, aproveitando-se da embriaguez dos invasores e das trevas fogem para o interior levando o que poderão salvar. Cavendish faz-se á vela, depois de lançar fogo á povoação de S. Vicente. Querendo attacar o Espirito Santo he repellido com grande perda, e obrigado a voltar á Europa: morre na viagem.

1593.

Outra expedição Ingleza ás ordens de Jayme de Lancaster attaca Olinda. O forte he tomado e a cidade saqueada. Lancaster volta á Inglaterra levando comsigo immensas riquezas.

1598.

Morre Philippe II. de Castella, e I. de Portugal (13 de Setembro).--Sobe ao throno Philippe III. de Castella, e II. de Portugal.

1599.

O Governador Geral D. Francisco de Sousa bate os Pitagoares e construe hum forte na foz do Rio Grande do Norte, deixando por commandante Jeronymo de Albuquerque Coelho.--Lanção-se os fundamentos da Cidade do Natal.