TITULO II.

SECULO XVII.

1603.

Chega á Bahia o governador Geral D. Diogo Botelho (outros dizem Pedro Botelho) a substituir D. Francisco de Sousa. Botelho é infeliz no seu Governo; faz guerra barbara e deshumana aos Indios, e até calca aos pés as salutares e justas leis de Hespanha ácerca da liberdade dos desgraçados Indigenas. Comtudo consegue-se a paz com os temiveis Aymorés pelos esforços verdadeiramente christãos do colono Alvares e do Jesuita Domingos Rodrigues.

1612.

Chega ao Maranhão uma expedição Franceza ao mando de Augusto de La Ravardière afim de tornar permanente hum pequeno estabelecimento ou colonia Franceza que ha 18 annos tinha ahi sido fundada.

1614.

Jeronimo de Albuquerque Coelho parte com uma expedição a expellir os Francezes do Maranhão. Ajudado por Alexandre de Moura bate-os na batalha de Guaxendúba. Mas suspendem-se as hostilidades.

1615.

Rôta a convenção de Guaxendúba, são completamente batidos os Francezes, e obrigados a abandonar o Maranhão, retirando-se na mesma esquadra de La Ravardière. Jeronimo de Albuquerque Coelho recebe em galardão a nomeação de Capitão-Mór do Maranhão.

1616.

Jeronimo de Albuquerque faz partir para o Amazonas Francisco Caldeira de Castello-Branco; o qual lançou os fundamentos da cidade de Belém, e construio hum forte.--Por este tempo tentão os Hollandezes estabelecer-se ao S. do Amazonas; porém não o conseguem e são repellidos.

1621.

Morre Philippe III. (31 de Março).--Sóbe ao throno Philippe IV. de Hespanha, e III. de Portugal.--Grandes feitos vão agora ter lugar, e occupar nossa attenção.

1622.

Chega ao Brazil o Governador Geral Diogo de Mendonça Furtado.

1623.

O caracter de Philippe II. já havia feito revoltarem-se as suas possessões da Hollanda. E a guerra feita então á Hespanha foi de grave prejuizo a Portugal e ao Brazil. Felizmente trégoas se havião alcançado por 10 annos desde 1609 reinando já Philippe III.--Porém, estando a expirar semelhante trégoa, e achando-se forte a Hollanda com as suas conquistas na India e com a existencia da celebre Companhia das Indias, foi proposta e resolvida a conquista do Brazil. Em consequencia huma esquadra de 60 vélas he neste anno armada para semelhante conquista. Jacob Villekens, Pedro Haynes, Hans Vandort e Adrião Patrid sahem á testa da expedição.

1624.

O governo de Madrid julga conveniente separar o Pará e Maranhão do resto do Brasil: assim o faz, constituindo-os hum estado independente do resto do paiz, e sujeito a hum Governador Geral com obediencia unicamente á côrte.--Apparece na Bahia a esquadra Hollandeza, que toma quasi sem resistencia a cidade. Tal era o estado de fraqueza a que o Brazil tinha sido reduzido pela côrte de Hespanha! Vandort fica na Bahia como Governador. Villekens parte para a Europa. Haynes vae attacar o Espirito Sancto. E Adrião Patrid sahe a conquistar Loanda na Costa d'Africa.--Tendo sido aprisionado contra a estipulação e todas as leis do direito e da honra o Governador Mendonça de Furtado, e remettido para bordo da náo Almirante inimiga, devia succeder-lhe no governo Mathias de Albuquerque que a este tempo se achava em Pernambuco. Porém, como as circunstancias urgião, é eleito Governador e General em chefe o Bispo D. Marcos Teixeira; o qual faz de novo cobrar animo aos Portuguezes e os leva a expellir os conquistadores.

1625.

Chega á Bahia Francisco Nunes Marinho enviado por Mathias de Albuquerque a tomar o commando do exercito, que não assentava bem em hum Ministro da Religião.--Ao mesmo tempo chega D. Fradique de Toledo d'Eça, Marquez de Valdueza (28 de Março) enviado por Hespanha.--E reunidos os exforços de ambos, sitião a cidade e obrigão o inimigo a capitular. Vandort morreo em hum combate.--Restaurada a Bahia, toma posse do governo geral D. Francisco Rolim de Moura.

1627.

Haynes fôra repellido do Espirito Sancto.--E Patrid, tendo sido mal succedido na conquista d'Africa, volta á Bahia: porém he obrigado a retirar-se; e na volta para a Europa apodera-se dos galeões Hespanhóes que do Mexico ião carregados de riquezas.--Diogo Luiz de Oliveira substitue Rolim de Moura no governo geral do Brasil.

1629.

A Côrte de Madrid, avisada de que os Hollandezes perseverantes na conquista do Brasil levavam suas vistas para a Capitania de Pernambuco, ordena a Mathias de Albuquerque que vá fazer face aos inimigos e repellil-os. Chega elle a Pernambuco com mui diminuta força (19 de Outubro).

1630.

Apparece a esquadra Hollandeza, onde vinha o General inimigo Theodoro Vandemburg.--Occupa este o Recife e Olinda.--Distingue-se João Fernandes Vieira na defeza do forte S. Jorge com só 37 guerreiros contra 4000, até que capitula honrozamente.--Mathias de Albuquerque volta do interior; e depois de fortificar-se, ajudado pelo Indio Camarão, limita-se á defensiva.

1631.

Uma esquadra Hollandeza ao mando de Adrião Patrid chega ao Brasil trazendo soccorros aos de Pernambuco: assim como huma Hespanhóla commandada pelo Almirante D. Antonio Oquendo em auxilio do paiz. As duas esquadras encontrão-se nos mares da Bahia, onde travão formidavel combate. Patrid, obrigado ou a morrer ou a entregar-se, prefere a morte; e envolvido no estandarte da Hollanda lança-se ao mar heroicamente, proferindo estas palavras:--O Oceano he o tumulo digno de hum Almirante Batavo.--Da esquadra Hespanhola he destacado o Conde Bagnolo para Pernambuco; o qual chega ao seu destino e reune-se a Mathias d'Albuquerque.--Julgando os Hollandezes ser muito maior, do que realmente era, o reforço chegado aos Portuguezes, lanção fogo a Olinda, e concentrão-se no Recife (23 de Novembro).

1632.

Tentão os Hollandezes tomar a Parahyba, o Rio Grande do Norte, e outros pontos; não o conseguem.--Porém, felizmente para elles, o pardo Domingos Calabar leva-lhes com sua pessoa a victoria. A ilha de Itamaracá cahe em poder do inimigo.

1633.

Chega a Pernambuco com grandes reforços o General inimigo Lourenço Reimbach, que vem substituir Vandemburg.--Mathias de Albuquerque bate o novo General, que he morto e substituido por Sigismundo de Schopp.

1634.

Sigismundo ajudado pelo infame Calabar, apodera-se da cidade do Natal, e de outras povoações. De sorte que nesta época o inimigo occupava Pernambuco, Parahyba, e Rio Grande do Norte.

1635.

Resolve Mathias de Albuquerque emigrar para o interior de Pernambuco. Ao passar por Porto-Calvo, por hum ardil de Sebastião do Souto, então prisioneiro do inimigo, bate a pequena força que se achava de guarnição, e toma a villa. Porém, depois de arrazar as fortificações e de ter feito executar o traidor Calabar, vendo que no estado em que se achavão as tropas e falto de recursos não podia conservar-se em Pernambuco, emigra para as Alagôas: outros fogem para a Bahia, Rio de Janeiro, e para o interior da propria capitania.--Tendo Mathias sido chamado á Europa, desembarca nas Alagôas (25 de Novembro) D. Luiz di Roxa y Borgia, nomeado General das forças em Pernambuco. Com elle veio tambem o novo Governador Geral Pedro da Silva, que substitue Oliveira, igualmente chamado á Europa.--Borgia parte para Pernambuco, deixando nas Alagoas huma força ás ordens do Conde Bagnolo.

1636.

Morre Borgia em hum combate, e succede-lhe Bagnolo no commando geral das tropas.--Os Hollandezes são muito incommodados pelas correrías do Indio Camarão, e do preto Henrique Dias.--Tem lugar a 2.ª emigração dos habitantes de Pernambuco, conduzida por Camarão: Bagnolo porém conserva-se em Pernambuco.

1637.

Chegão ao Brazil novas tropas Hollandezas ao mando do Principe Mauricio de Nassau (23 de Janeiro). O primeiro intento do novo General foi tomar Porto-Calvo, onde se achava Bagnolo. Renhido combate tem lugar entre 4000 Portuguezes e 10000 Hollandezes, no qual se distinguem Camarão, sua mulher D. Clara, e Henrique Dias. Bagnolo desampára cobardemente Porto-Calvo, e retira-se em direcção ás Alagoas; todos os habitantes o acompanhão, ficando unicamente huma pequena guarnição que se defende heroicamente, até que capitúla o mais honrozamente possivel. Mauricio persegue Bagnolo nas Alagôas, e obriga-o a retirar-se para Sergipe: volta depois a cuidar na colonia. Envia soccorros a Sigismundo para expellir de Sergipe o Conde Bagnolo; o qual, sendo disto avisado, toma o partido de emigrar para a Bahia apezar da repugnancia do Governador Pedro da Silva. Sigismundo ataca e devasta Sergipe.--Ao mesmo tempo os Indios do Ceará convidão Mauricio a apoderar-se desta Provincia expellindo os Portuguezes: elle o aceita e é feliz.--Neste mesmo anno sahe huma esquadrilha de 47 canôas ás ordens de Pedro Teixeira para reconhecer o Amazonas (28 de Outubro). (Já em 1540 havia Orellana descido pelo Amazonas, sendo assim o primeiro Europêu que o navegou).

1638.

Mauricio, tendo sido mal succedido na sua tentativa de conquista dos Ilhéos, resolve-se a pôr em execução o seu projecto de conquistar a Bahia. Com effeito ahi apparece com grande esquadra (14 de Abril). Sitia a cidade; porém soffre perda consideravel no ataque das trincheiras, no qual tambem nós entre outros Officiaes perdemos o famoso Sebastião do Souto, que tantos serviços havia prestado nesta guerra. O Conde Bagnolo, já então na Bahia, bate Mauricio, e obriga-o a retirar-se para Pernambuco.--Neste anno chega a Quito a expedição de Pedro Teixeira e Bento Rodrigues de Oliveira, tendo subido pelo Amazonas e alguns de seus confluentes.

1639.

Em Janeiro chega á Bahia numa grande esquadra Hespanhola destinada a restaurar Pernambuco, e todos os outros pontos do Brazil em poder do inimigo.--Chega a Belém, já de volta de Quito, a expedição de Pedro Teixeira (12 de Dezembro).

1640.

Com grandes exforços e muitos sacrificios consegue-se reunir tropa no Rio Grande do Norte sob os chefes Camarão, Henrique Dias, Barbalho e Vidal; os quaes voão em auxilio da Bahia.--Chega á Bahia e toma posse o novo Governador Geral D. Jorge Mascarenhas, Marquez de Montalvão, condecorado com o titulo de Vice-Rei do Brazil.--Em S. Paulo os Procuradores de todas as Villas e Camaras (por accordo de 13 de Julho) expulsão da Capitania os Jezuitas.--Nova época se prepara para o Brazil. A tyrannia de Olivarez, Ministro do Rei, a de Miguel de Vasconcellos, Vice-Rei de Portugal, e a oppressão em que vivião os povos excitão o desejo de liberdade e independencia. Assassinado Miguel de Vasconcellos em Lisboa, sacode Portugal o jugo ferreo de Hespanha (1.º de Dezembro).--He acclamado Rei o Duque de Bragança D. João IV.

1641.

Chegando ao Brazil tão grata noticia, entra de novo no dominio Portuguez, á excepção do territorio occupado pelos Hollandezes.--O Vice-Rei Montalvão é injustamente preso por suspeito e enviado para Lisboa, onde é mui bem acolhido pelo Rei. Governa o Brazil huma Junta Provisoria, composta de 3 membros.--Conclue-se na Europa huma trégoa de 10 annos entre Portugal e Hollanda; porém, como ella não devia ser publicada senão hum anno depois de ratificada, o Principe Nassau conquista, já durante a trégoa, a ilha de Maranhão e Sergipe.

1642.

Os Hespanhóes desejando conservar S. Vicente á corôa de Hespanha (ou antes, querendo os Vicentistas constituir-se em Estado Independente, como com melhor fundamento opinão alguns Escriptores) tentão acclamar Rei Amador Bueno da Ribeira. Este porém nobre e heroicamente recusa tal offerta; e retirando-se ao Mosteiro dos Benedictinos afim de pôr em segurança sua pessoa consegue acclamar e fazer reconhecer como legitimo soberano D. João IV. Em consequencia S. Vicente manda prestar juramento de fidelidade ao Rei.--Chega ao Brazil o novo Governador Geral Antonio Telles da Silva.--Publica-se a trégoa entre Hollanda e Portugal: cessão as hostilidades no Brazil, e Mauricio cuida unicamente na prosperidade da colonia.

1643.

Á sombra da paz florecia e prosperava rapidamente a colonia Hollandeza sob o governo sabio do Principe Mauricio, quando suspeitas mal fundadas o fazem chamar á Europa. Entrega portanto o governo ao Grão-Conselho do Recife, composto de tres cidadãos; e faz-se á vela para Hollanda (22 de Maio).--A sua ausencia, a fraqueza e má administração do novo Governo trazem a decadencia da colonia, e excitão nos Portuguezes o desejo de liberdade. Antonio Moniz Barreto (ou Barreiros, segundo outros) no Maranhão dá o signal, sacodindo o jugo estrangeiro: o Ceará o imita. Feliz incentivo para os de Pernambuco!

1645.

João Fernandes Vieira trama em Pernambuco huma temivel conspiração contra os invasores. Mas desejando o apoio do governo, participa a sua resolução ao Governador Geral; o qual procedendo prudentemente envia André de Vidal Negreiros afim de examinar o estado das cousas e entender-se com Vieira. Vidal conforma-se em tudo com Vieira e exhorta-o a proseguir em tão gloriosa empreza. Descoberta a conspiração por denuncia que ao Grão-Conselho derão dous conjurados, Vieira corre ás armas abandonando o Recife.--Encontra-se Vieira com as tropas Hollandezas ao mando de Henrique Huss junto ao monte Tabocas (3 de Agosto): o Chefe inimigo é completamente derrotado e obrigado a retirar-se para o Recife.--Chega a Pernambuco huma frota enviada por Telles da Silva sob o commando de Serrão de Paiva; nella vinhão tropas ao mando de Vidal em favor dos insurgentes sob pretexto de os reduzir á ordem. Vidal reune-se a Vieira, ao qual já se havião reunido Camarão e Dias.--Outra esquadra sahida do Rio de Janeiro ás ordens de Salvador Corrêa de Sá reune-se á de Paiva em Pernambuco; porém logo depois se separa.--No entanto huma armada Hollandeza commandada pelo Almirante Cornelio Lichtart destroe em Tamarandé a de Paiva, que é feito prisioneiro.--A revolução lavra por todas as outras possessões Hollandezas no Brazil, e por toda a parte Vieira é reconhecido o chefe della.

1646.

Depois de já haver sido batido segunda vez e aprisionado o General Huss, depois de já se haverem tomado varias villas e pontos, é o General Hollandez expulso de Olinda, vendo-se obrigado a entrincheirar-se no Recife.--No entanto, em consequencia das representações do Grão-Conselho, manda Telles da Silva ordem a Vieira de mandado do Rei para cessar a guerra; Vieira recusa obedecer dizendo--que depois de restituir ao seu Rei esta bella estrella, iria elle proprio exigir o castigo da desobediencia.--Vieira, animado por tão prosperos successos de suas armas, vai sitiar o Recife.--Chega de Hollanda com grande reforço Sigismundo de Schopp, que substitue a Junta Governativa. He gravemente ferido em um combate. Vai atacar a Bahia; mas obrigado a voltar ao Recife, toma na passagem a ilha de Itaparica e arraza a povoação.

1647.

Chega ao Brazil o Governador Geral Antonio Telles de Menezes, Conde de Villa-pouca, que substitue Telles da Silva, chamado á Europa.--Chega hum grande reforço aos Hollandezes.--Neste mesmo anno é o Brazil elevado a Principado por D. João IV. na pessoa do Principe D. Theodosio.

1648.

A 13 de Janeiro chega ao Brazil Francisco Barreto de Menezes a tomar o commando do exercito em Pernambuco. Coadjuvado sempre pelo patriotico Vieira, Camarão, Dias, e outros ganha a primeira memoravel batalha de Guararapes (19 de Abril) sobre Sigismundo. Astolfo Brinck, que commandava no impedimento de Sigismundo, tambem é batido. Sigismundo, exacerbado por tantos revezes e querendo vingar-se, tendo recebido reforços resolve atacar a Bahia.

1649.

Sigismundo volta a Pernambuco, depois de haver saqueado o Reconcavo da Bahia.--Tem lugar a segunda batalha de Guararapes ganha por Barreto (19 de Fevereiro).

1650--1654.

Chega á Bahia o Governador Geral, Conde de Castello-Melhor, que substitue Telles de Menezes (1650).--Francisco Dias Velho Monteiro com sua familia, e 500 Indios domesticados dá principio á povoação da Ilha de Santa Catharina (1651).--Continúa o assedio do Recife por Vieira.--Chegando casualmente á Capitania de Pernambuco huma esquadra portugueza sob o commando de Pedro Jacques de Magalhães, o General Barreto pede-lhe que o auxilie a expellir definitivamente os Hollandezes (fins de 1653). Por conseguinte, ajudado pelo fogo da esquadra Vieira é encarregado da difficil, mas gloriosa empreza de atacar o Recife, unico ponto occupado pelo inimigo. Com effeito em 1654 obriga elle Sigismundo a capitular e abandonar para sempre as pretenções da Hollanda sobre o Brazil. Neste anno são elles definitivamente expulsos de todos os pontos; porque a restauração de Pernambuco trouxe a de todas as outras Capitanias. Assim, neste anno, para sempre de gloriosa memoria, foi Portugal reintegrado de todos os seus direitos ao Brazil, e este livre do jugo estrangeiro pelos esforços inauditos, e patriotismo sem igual do illustre Vieira, acclamado por isso Libertador do Brazil, e Restaurador da Igreja.

1656.

Morre D. João IV. (6 de Novembro).--É Regente do Reino a Rainha D. Luiza de Gusmão.

1660.

Conclue-se entre Portugal e Hollanda hum tratado de paz, em virtude do qual são definitivamente restituidas a Portugal as provincias do Brazil, devendo em compensação receber a Hollanda 12 milhões, e poder commerciar livremente no Brazil e outras possessões.

1662.

A Rainha D. Luiza entrega o governo a seu filho, já maior, D Affonso (23 de Junho).--Sóbe ao throno D. Affonso VI. Pouco reinou, porque a Junta dos tres Estados o depoz em 24 de Novembro de 1667, e nomeou Regente o Infante D. Pedro.

1667.

É Regente do Reino o Infante D. Pedro.--Favorece elle as colonias, e estabelece huma armada para comboiar os navios mercantes que do Brazil sahião para Lisboa.

1668.

Conclue-se (13 de Fevereiro) hum tratado de paz entre Portugal e Hespanha, em virtude do qual he reconhecida a independencia do Reino e a casa reinante de Bragança: e alguma cousa tambem se convencionou ácerca dos limites das respectivas possessões na America.

1675.

Por morte do Vice-Rei Governador Geral, he o Brazil governado interinamente por um Triumvirato.

1676.

A Igreja da Bahia (que já havia sido elevada a Bispado em 1550, sendo seu primeiro Bispo D. Pedro Fernandes Sardinha) he elevada a Arcebispado por Bulla de Innocencio XI. (de 16 de Novembro): e elevadas a Bispados as Igrejas de Maranhão, Pernambuco, e Rio de Janeiro.

1678.

Com a vinda do novo Governador Geral, acaba neste anno o governo interino.

1679.

D. Manoel de Lobo, Governador do Rio de Janeiro, recebe ordem do Regente para fundar a colonia do Sacramento perto do Rio da Prata afim de obstar aos ataques e invasões dos Hespanhoes do Paraguay e Buenos-Ayres.

1680.

Tendo-se dirigido ao Prata o Governador Lobo, levanta o forte do Sacramento, apezar das representações e opposição dos Hespanhoes. Mas neste mesmo anno he o forte tomado pelo Governador de Buenos-Ayres.

1683.

He restituida a Portugal a praça do Sacramento, e reedificada.--Fallece D. Affonso VI. (12 de Setembro).--Sobe ao throno D. Pedro II., que até aqui governára como regente.

1690.

Os Vicentistas ou Paulistas tentão novas peregrinações pelo interior do paiz em busca de metaes preciosos, e descobrem as minas de Sabará.

1697.

Os Paulistas fundão em Minas-Geraes a povoação denominada Villa-Rica (hoje Ouro-Preto), para a qual afluio quantidade enorme de colonos attrahidos pelo ouro em que abundava o districto.--Neste mesmo anno he destruida completamente a povoação de Palmares em Pernambuco, feita por negros de ha muitos annos. Tinha ella crescido a tal ponto que foi preciso huma força de 7000 homens, e sitial-a em regra como si fôra huma fortaleza ou grande cidade!