Notas.

[1]

Documento que encontrámos na Torre do Tombo, gaveta 25, maço 1.º, n.º 47, de fol. 184 a 187.

[2]

Existente na Torre do Tombo, cella M, maço 1:104, fol. 381.

[3]

Torre do Tombo, cella M, maço 1:163, fol. 495.

[4]

Na Historia do Infante D. Luiz, recentemente publicada pelo snr. José Ramos Coelho (1889) vem indicadas, de pag. 148 a 150, as razões que motivaram a discordia entre D. Luiza de Gusmão e D. Duarte de Bragança.

[5]

O cadaver da rainha foi em 1666 transferido da igreja do Grillo para a de Corpus Christi; em 1691 foi mudado, dentro d'esta igreja, de um lugar para outro; em 1713 trasladaram-no da igreja de Corpus Christi para a do Grillo. Duas jornadas e tres mudanças. No principio d'este anno (1889) fez a terceira Jornada, do Grillo para S. Vicente.

[6]

Recordações de Portugal.

[7]

«Entre os pittorescos arrabaldes da cidade destaca-se pela sua melancolica belleza o sitio de Chapultepec. Na cumiada de uma collina de pequena elevação, a cinco ou seis kilometros distante da cidade, levantava-se n'outros tempos uma especie de castello. Era o lugar de recreio dos reis astecas, e do alto dos muros avistavam a sua grande cidade, e todo o valle em que ella assenta. Em torno d'este castello, pelas vertentes da collina, e n'uma grande extensão da planura, quasi occultava esta pittoresca vivenda uma floresta mui densa de elevados e corpulentos cedros (cupressus distica), que já n'essa época representavam muitos seculos. O antigo castello desappareceu, e em seu lugar se levantou com grande dispendio em 1785 um novo palacio, que tem servido de residencia de verão aos vice-reis e presidentes, de escóla militar e de observatorio astronomico.» Estas impressões de viagem foram colhidas por um portuguez, o snr. visconde de S. Januario, na sua missão diplomatica ás republicas da America do Sul (1878-1879).

[8]

Já depois de escripto este artigo, que foi suggerido pelo livro de madame Carette, appareceu no Gil Blas (de 25 de setembro de 1889) a cópia de um relatorio que o general Escobedo dirigiu ao general Porphirio Diaz, presidente da republica do Mexico, e que primeiro fôra estampado no Novo Mundo, jornal officioso do governo mexicano em Paris. O coronel Lopez, que ficára reduzido a viver do producto de uma casa de banhos que estabelecêra no Mexico, soffrêra durante vinte annos a accusação de traidor, que geralmente lhe era feita, e que sua propria esposa acreditou, porque, quando elle voltou ao Mexico, depois do fuzilamento de Maximiliano, ella esperára-o á janella, com um filho pequeno nos braços e, vendo-o chegar, gritára: «Tu és um traidor e eu não quero que esta creança seja o filho de um traidor». Dizendo isto, deixou cahir o filho á rua. Lopez tragára em silencio todas estas affrontas e injustiças, e só se resolveu a fallar, a pedir um testemunho rehabilitador ao general Escobedo, vinte annos depois! Escobedo respondeu officialmente com o relatorio, no qual declara que o coronel Lopez o procurara a 14 de maio de 1867 para lhe dizer que Maximiliano pedia que o deixassem embarcar, devidamente escoltado, no porto de Tuxpam ou Vera-Cruz, sob palavra de que jámais voltaria ao Mexico. Seria pois para occultar este acto do imperador, que Miguel Lopez teria guardado segredo. Lopez abonou a sua declaração com este bilhete, que Maximiliano lhe escrevêra, e cuja authenticidade o general Escobedo reconheceu: «Mon cher colonel Lopez. Nous vous recommandons de garder un profond silence au sujet de la commission dont nous vous avons chargé près du général Escobedo, car si ce secret était divulgué, notre honneur serait entaché. Votre très affectionné, Maximilien

Custa a acreditar que o coronel Lopez atravessasse silencioso vinte annos de descredito, mas, se assim foi, o seu nome está rehabilitado. E a fraqueza do imperador, na situação desesperada em que se achava collocado, não excede os limites da comprehensão humana, posto diminua ao perfil historico de Maximiliano o cunho da heroicidade, que o engrandecia na desgraça.

[9]

Esta hypothese, que aventamos humoristicamente, tomou maior vulto no nosso espirito desde que, procedendo a averiguações, soubemos que só na peninsula iberica se diz que o menino veio de França. Hay venido de Francia, diz-se em Hespanha, e esta communidade de locução explica-se satisfatoriamente n'este caso, como em muitos outros modismos, adagios e gnomas, pelas relações frequentes, que sempre houve, entre os dois paizes da peninsula. Mas já nos Açores, que communicam menos facilmente com Portugal do que a Hespanha, comquanto sejam territorio portuguez, se não emprega a mesma locução. Na Terceira diz-se que o menino veio do Pico. Mostra isto, talvez, que os Açores não receberam a impressão do facto historico occorrido em Lisboa com a mesma insistencia e intensidade com que a recebeu a Hespanha, por ser nossa visinha, paredes meias.

As variantes de expressão, que vamos reproduzir, tendem a demonstrar que a locução portugueza proveio de um facto privativo a Portugal.

Em França diz-se que o menino nasceu nas couves, qu'il est né dans les choux; e até em algumas participações de nascimento se vê representada uma creança emergindo d'entre folhas de couve.

Em Italia a expressão é outra: que a mamã comprou um menino:—che la mammá ha comperato un bambino. Em Inglaterra a locução tem o mesmo sentido que na Italia: to buy a baby.

Na Allemanha ha uma phrase, que corresponde a uma lenda. A phrase é esta: Der Storch bringt die Kinder aus dem Milchbrunnen. (A cegonha traz os meninos do poço de leite). A lenda conta que as creanças jazem n'um poço, chamado—das creanças—, o qual é muito fundo. Se os meninos querem uma irmãsinha ou um irmãosinho, pedem á cegonha que os vá tirar do poço com o seu comprido bico, o que ella faz de noute, mettendo-os pela janella da casa, onde as respectivas mamãs os vão buscar.