_A ALVARO DE CAMPOS,
O MESTRE._
Na noite negra e antiga
Ha só a luz do Pharol:
Ora loira, côr do sol,
Ora vermelha, inimiga.
No seio negro e profundo
Da noite em treva dormindo
O Pharol é Outro Mundo,
Ora chorando, ora rindo.
Na noite negra, afinal,
Tudo a elle se limita:
Só o pharol é real!
A treva nunca tem fim,
Ó sensação infinita,
—Sou já só Pharol de Mim!
Junho, 1915.
* * * * *
Toda a minh'Alma se prende
Naquella forma de graça;
Mas não é na forma viva
Mas sim na Linha que passa.
Toda a minh'Alma se prende,
Bate as Asas—esvoaça…
E é como a sombra distante
D'aquella Linha que passa.
A vida é só o Espaço
Que vai da propria Linha
Á sombra d'ella num traço.
Quando a Morte fôr vizinha,
Fundidas no mesmo Espaço
Será tudo a mesma Linha.
Junho, 1915.