NIRVÂNA

(A Guerra Junqueiro)

Para além do Universo luminoso,
Cheio de fórmas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vacuo tenebroso.

A onda d'esse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida…
N'uma immobilidade indefinida
Termina ali o ser, inerte, ocioso…

E quando o pensamento, assim absorto,
Emerge a custo d'esse mundo morto
E torna a olhar as cousas naturaes,

Á bella luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tedio, em tudo quanto fita,
A illusão e o vasio universaes.