VI.

A Santos Valente.

Estreita é do prazer na vida a taça:
Largo, como o oceano é largo e fundo,
E, como ele, em venturas infecundo,
O calis amargoso da desgraça.

E comtudo nossa alma, quando passa
No pregrinar da vida pelo mundo,
Prazer só pede á vida, amor fecundo,
Com esta unica esprança só se abraça.

É lei de Deus este aspirar imenso…
E comtudo a ilusão impoz á vida,
E manda buscar luz, e dá-nos treva!

Ah! se Deus acendeu um fóco intenso
D'amor e dor em nós, na ardente lida,
Por que a miragem cria… ou por que a leva?