VII.

A Florido Telles.

Quando comparo gloria ou ouro ou fama
—Venturas que em si tem oculto o dano—
Com aquele outro afeto soberano,
Que amor se diz e é luz de pura chama,

Vejo que são bem como arteira dama
Que sob o honesto riso, esconde o engano,
E quem as segue como esse que ufano,
Por ir traz do prazer, deixa quem o ama.

Do orgulho vem aquele estranho goso
E a gloria d'ele só nos vem do orgulho,
Por que só na vaidade tem a palma:

Tem na paixão seu brilho mais formoso
E das paixões, tambem, some-o o marulho…
Mas a gloria d'amor… essa vem d'alma!