VI

*Á Janella*

Altas horas da noute, quando a rua
É deserta da onda crapulosa,
No seu caminho em meio, vagarosa,
—Abro a minha janella a ver a lua.

Como uma branca divindade nua
Ella avança celeste, e, á luz ditosa,
Qual copo de cristal que enche uma rosa,
O goivo do Peccado em luz fluctua.

Fluctua, e é nestas horas recolhidas
Que me ergo então ás cupulas subidas
D'onde se avista o mystico ideal…

E rio, e admiro o vulgo obsecado
Que cuida ver, nas beiras d'um telhado,
Abrir-se n'um craveiro a flor do Mal!