EPISTOLA

Ao meu amigo o Desembargador Manuel Venancio
Deslandes

(NO DIA DOS MEUS ANNOS)
FRAGMENTO

Em torno ao teu amigo estão fervendo,
Deslandes meu, na hora em que te escreve,
de uma festa caseira o reboliço.

*

Bem que alveje de neve o Caramulo,
e um frígido suão de lá nos venha,
ninguem hoje de frio aqui se queixa.
Não descança nem pé, nem mão, nem lingua;
o sumptuoso lar arde em tres fógos;
o forno se afogueia; a branca meza
vai-se de loiça e vidros alegrando.

*

Uma estuda em compôr as sobremezas;
outra enrama de loiro alta ferrugem
das vigas da cosinha; esta, sizuda,
de riscado avental e nus os braços,

com importancia e afan revira espêtos;
aquella, anda scismatica, e raivosa
de eu nascer em Janeiro, um mez agreste,
que além de um alecrim, de umas violetas,
nascidas por engano, além de rosas,
frágeis, sem cheiro, e languidas, não cria
com que se enflore a meza dos meus annos.

*

¿Porque é, quando a sorrir divagam todos,
quando só para mim se andam tecendo
estas pompas domesticas, agora
que a potente amisade em meu obsequio
para tudo fazer até fez estros;
agora, emfim, que aos raios da alegria
não ha um coração que se não abra...
¿por que se fecha o meu? ¿Dará (não creio)
da Natureza o luto um certo assombro
ás festas do homem? ¿Pensas que enfartado
d'esta patria amargura, a filtre aos gostos,
qual vaso que azedado a tudo azéda?...
..........................................................

26 de Janeiro

de 1833.

FIM DO PRESBYTERIO DA MONTANHA

NOTAS DOS EDITORES
AO VOLUME I DO
PRESBYTERIO DA MONTANHA


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*

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[ Pag. 11] lin. ultima

Dapibus mensas oneramus inemptis

....Sero que revertens

nocte domum, dapibus mensas onerabat inemptis.

......Alembra-me que outr'ora,

lá por onde o Galeso arrasta a veia escura
por entre loiros chãos de cereal cultura,
junto á Ebália cidade, a de torreados muros,
conheci um corycio em annos já maduros,
dono de uma chanzinha ali desamparada.
O pobre do torrão de si não dava nada:
nem pasto para bois, nem para um fato hervinha.
Sumitico de pães, escasso para vinha,
era um sarçal fechado; e no sarçal, comtudo,
o bom velho, a poder de diligencia e estudo,
tinha hortaliça rara, e emmoldurada em torno
com seve de jardim para maior adorno,
alvos lirios, verbena, e papoilas de prato.
Não trocára co'os Reis seu parco haver tão grato.
Recolhia ao casal já noite; e, ¡que riqueza
de iguarias de graça a assoberbar-lhe a meza!

[Pag. 18] lin. 3

Passámos n'uma bateirinha, remada por uma velha moleira da margem, o víçoso rio de Bolfiar.

[Pag. 36] lin. 20

Uma especie de zimborio de doze palmos de altura.

[Pag. 37] lin. 3

Uma desconforme loisa inteiriça horizontalmente aguentada nos ares por esteios de pedra.

[Pag. 42] lin. 6

A Linguagem é ali, como os ares, de uma admiravel pureza e lucídez.

[Pag. 58] lin. 7

Lia, Rachel e Rebecca

[Pag. 72] lin. 15

Uma pobre mocinha ovelheira

[Pag. 80], lin. 9

Filinto e o entrudo

¡Viva o meu Portugal! ¡viva a laranja
que derruba o chapeo!

[Pag. 82] linhas 6 e 8

Citações latinas

Fronte sub adversa scopulis pendentibus antrum;
intus aquae dulces, vivoque sedilia saxo;
nympharum domus
.

[Pag. 87] lin. 21

As rogações de Maio

[Pagina 99] linha 23

O ubi campi!

Rura mihi et rigui placeant in vallibus amnes;
flumina amem silvasque inglorius. O ubi campi
Spercheosque, et virginibus bacchata Lacaems
Taygeta!......

Então amar só quero os rios e arvoredos,
de glorias desquitado. Ai, campos meus tão quedos!
ai ribeiras do Spérchio, oiteiros do Taygéto,
das virgens de Lacónia ás órgias predilecto,
¿onde, onde me estais vós?....

[Pag. 102], lin. 10

Parve, nec invideo, sine me, liber, ibis in urbem

Parte, ó meu pobre livro; irás sem mim, sosinho,
correr na gran Cidade incognito caminho
traduziu alguem

[Pag. 107], lin. 17

Zimmermann

[Pag. 108], lin. 6

O Passeio publico e o Marrare


ADDITAMENTO


IO sermão de S. Pedro, ou da Fé;
IIO sermão da esmola, ou da Caridade;
IIIO sermão nas exequias do senhor D. Pedro IV;
IVA pastoral dedicada ao seu rebanho episcopal de Beja;
VUns versos na Primavera de Antonio Feliciano.

SERMÃO
DA
ESMOLA OU DA CARIDADE

Prégado na 5.ª dominga da Quaresma de 1839
na Sé de Lisboa
pelo Conego Arcipreste da mesma Sé,
o Doutor de capello em Canones Augusto Frederico de Castilho

Jesus abscondit se, et exivit de templo.
Escondeu-se Jesus, e sahiu do templo.