A NUVEM DOIRADA.

(N’UM ALBUM.)

A nuvem doirada se expraia no occaso,

Roçando co’as franjas o throno de Deos;

A aguia arrojada seus vôos levanta,

Traçando caminhos nos campos dos céos!

Exhala perfumes a flôr do deserto,

Embora dos ventos o sopro fatal

Embace-lhe as côres,—e o mar orgulhoso

Suspira queixoso—no extenso areal.

E os bardos mimosos nos cantos singelos

Imitão as nuvens no incerto vagar:

Vão sós como as aguias,—exhalão perfumes,

Suspirão queixumes—das vagas do mar.

Por isso quem ama, quem sente no peito

Cantar-lhe das lyras a lyra melhor;

Os carmes lhes ouve, que os bardos só cantão

Saudades, perfumes, enlevos e amor!