A UNS ANNOS.
14—Janeiro.
No segredo da larva delicada
A borboleta mora,
Antes que veja a luz, que estenda as azas,
Que surja fóra!
A flôr, antes de abrir-se, se recata;
No botão se resume,
Antes que mostre o colorido esmalte,
Que espalhe o seu perfume.
E a flôr e a borboleta, após a aurora
Breve—da curta vida,
Encontrão nas manhãs da primavera
A luz do sol querida.
De graças cheia, a delicada virgem
Da vida no verdor,
Semelha a borboleta melindrosa,
Semelha a linda flôr.
Tudo se alegra e ri em torno della,
Tudo respira amor,
Que é a virgem formosa semelhante
Á borboleta e á flôr.
Mas para estas o sol breve se esconde,
Passão prestes os dias;
Em quanto a cada sol e nova quadra
Tu novas graças crias!