ANHELO.
No lago interior d’um peito virgem,
Que os ventos das paixões não agitárão,
Hei de em cifras de amor gravar meu nome,
Onde as nuvens do céo desenhão cores.
Nos meigos olhos, que embelleza o mundo,
De corrosivas lagrimas enxutos,
Meu pensamento gravarei n’um beijo,
Onde as luzes do céo reflectem brilhos.
Em sua alma, onde uma harpa melindrosa
Noite e dia seus canticos afina,
Hei de a vida entornar em doces carmes,
Onde imagens do céo sómente brilhão.
Que outra c’rôa melhor, que outra mais pura,
Que uma c’rôa d’amor em fronte virgem?!
Não peza sobre a fonte, não esmaga,
Não punge o coração,—é toda amores!
Que outra c’rôa melhor, que outra mais bella
Que a aureola, que Deos concede aos vates?
Com sorriso de amor, talvez com pranto,
Cede-a o vate á mulher, que mais o inspira!
Eu t’a cedo, eu t’a dou! C’rôo-te imagem
Resplendente, invejada entre as mulheres;
Um beijo só de amor tu me concedas,
Um suspiro sequer do peito exhales.