QUE ME PEDES.

Tu pedes-me um canto na lyra de amores,

Um canto singelo de meigo trovar?!

Um canto fagueiro já—triste—não póde

Na lyra do triste fazer-se escutar.

Outr’ora, coberto meu leito de flores,

Um canto singelo já soube trovar;

Mas hoje na lyra, que o pranto humedece,

As notas d’outr’ora não posso encontrar!

Outr’ora os ardores que eu tinha no peito

Em cantos singelos podia trovar;

Mas hoje, soffrendo, como hei de sorrir-me,

Mas hoje, trahido, como hei de cantar?

Não peças ao bardo, que afflicto suspira,

Uns cantos alegres de meigo trovar;

Á lyra quebrada só restão gemidos,

Ao bardo trahido só resta chorar.