CANÇÃO.

Yo no soy mas que un poeta,

Sin otro bien que mi lira.

ZORRILLA.

Tenho uma harpa religiosa,

Toda inteira fabricada

De madeira preciosa

Sobre o Libano cortada.

Foi o Senhor quem m’a deo,

De sanctas palmas coberta,

Que as notas suas concerta

Aos sons do salterio hebreo!

Tenho alaúde polido

Em que antigos Trovadores,

Em tom de guerra atrevido,

Cantavão trovas de amores.

Mas chegando a Sancta Cruz,

De volta do meo desterro,

Cortei-lhe as cordas de ferro,

Cordas de prata lhe puz.

Tenho tão bem uma lyra

De festões engrinaldada,

Onde minha alma afinada

Melindres d’amor suspira.

Nas grinaldas, nos festões,

Nas rosas com que s’inflora,

Goteja o orvalho da aurora

Dictámo dos corações.

Eis o que tenho, ó Donzella,

Só harpa, alaúde e lyra;

Nem vejo sorte mais bella,

Nem coisa que lhe eu prefira.

Votei assim ao meo Deos

A minha harpa religiosa,

A ti a lyra mimosa,

O grave alaúde aos meos!