MEU ANJO, ESCUTA.

Le mal dont j’ai souffert s’est enfui comme un rêve,

Je n’en puis comparer le lointain souvenir

Qu’à ces brouillards légers que l’aurore soulève

Et qu’avec la rosée on voit s’évanouir.

MUSSET.

Meu anjo, escuta: quando junto á noite

Perpassa a brisa pelo rosto teu,

Como suspiro que um menino exhala;

Na voz da brisa quem murmura e falla

Brando queixume, que tão triste cala

No peito teu?

Sou eu, sou eu, sou eu!

Quando tu sentes luctuosa imagem

D’afflicto pranto com sombrio véo,

Rasgado o peito por acerbas dores;

Quem murcha as flores

Do brando sonho?—Quem te pinta amores

D’um puro céo?

Sou eu, sou eu, sou eu!

Se alguem te acorda do celeste arroubo,

Na amenidade do silencio teu,

Quando tua alma n’outros mundos erra,

Se alguem descerra

Ao lado teu

Fraco suspiro que no peito encerra;

Sou eu, sou eu, sou eu!

Se alguem se afflige de te ver chorosa,

Se alguem se alegra co’um sorriso teu,

Se alguem suspira de te ver formosa

O mar e a terra a ennamorar e o céo;

Se alguem definha

Por amor teu,

Sou eu, sou eu, sou eu!